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Facebook demite funcionário que protestou contra posts de Donald Trump

Rui Maciel

No começo de junho, noticiamos que Mark Zuckerberg angariou a antipatia de boa parte de seus funcionários, ao anunciar que não faria nada quanto aos posts inflamatórios do presidente Donald Trump em relação aos conflitos raciais que tomaram conta dos EUA nas últimas semanas. Na ocasião, o CEO da rede social reuniu seus colaboradores em uma sessão de perguntas e respostas, explicou a sua decisão de manter suas publicações e afirmou que entendia a discordância e estava aberto à ouvir contrapontos. No entanto, parece a coisa ficou só no discurso. Isso porque o Facebook demitiu Brandon Dail, um funcionário que havia criticado a decisão do executivo em relação ao tema.

Segundo a agência de notícias Reuters, Dail é um engenheiro de interface do usuário, baseado em Seattle. Ele escreveu em sua conta no Twitter que foi demitido por censurar publicamente um colega. Esse último se recusara a incluir uma declaração de apoio ao movimento Black Lives Matter nos documentos que ele estava publicando.

Ainda em sua conta no Twitter, um dia depois da reunião de Zuckerberg com os funcionários do Facebook, Dail publicou: "Intencionalmente não fazer uma declaração já é [um ato] político", escreveu em 2 de junho. Na última sexta-feira, quando questionado sobre o tuíte, ele disse que mantinha o que havia escrito.Não apenas o Dail, mas outras dezenas de colaboradores, incluindo seis outros engenheiros de sua equipe, abandonaram suas mesas e tuitaram objeções ao tratamento dado pelo cofundador da rede social às mensagens de Trump, em um dos raros protestos ocorridos na companhia.

O Facebook confirmou à Reuters que Dail foi demitido, mas se recusou a fornecer informações adicionais. A empresa havia dito anteriormente que os funcionários que participaram da paralisação em protesto à "questão Trump" não sofreriam nenhum tipo retaliação.

Já Brandon Dail não respondeu a um pedido de comentário.

Entenda a "Questão Trump" x Facebook

O presidente Donald Trump havia postado no Facebook, no último dia 29 de maio, mensagens consideradas inflamatórias, em relação às manifestações que tomaram conta dos EUA. Em uma das publicações, ele escreveu que "Quando os saques começam, os tiros também". O conteúdo foi rotulado pelo Twitter como incitação à violência, mas o Facebook preferiu não fazer nada.

Para justificar a não retirada do conteúdo de Trump, Zuckerberg afirmou que o post não violou as políticas da rede social. Para manter a sua decisão, ele disse que a publicação do presidente dos EUA se baseia em um apelo ao "uso estatal da força", o que é permitido sob as diretrizes do Facebook . Ele disse que, no futuro, a rede social poderá reavaliar essa política, dadas as fotos e vídeos do uso excessivo da força pela polícia que se espalharam pelas mídias sociais nos últimos dias.

No entanto, a decisão não agradou boa parte dos funcionários do Facebook. O fato levou a empresa a uma a feroz discórdia interna, com centenas de funcionários realizando uma “paralisação” virtual na no dia 1º de junho, usando o envio de mensagens automatizadas. como forma de protesto contra a definição.

Trump e Zuckerberg: posts do presidente norte-americano ainda dão dor de cabeça ao Facebook

Diante do "motim", Zuckerberg reuniu os funcionários em todo país, a partir de uma teleconferência para uma sessão de perguntas e respostas. Ele afirmou que a decisão de manter as declarações do presidente dos EUA nas redes sociais foi "muito difícil", mas que foi muito bem pensada". O CEO disse também que "os princípios e políticas do Facebook que apóiam a liberdade de expressão mostram que a ação certa a ser tomada agora é deixar isso para lá". Para completar, disse saber que a sua escolha chatearia a muitos em relação ao Facebook. No entanto, uma revisão de política da empresa corroborou sua decisão.

Depois de explicar sua linha de raciocínio, Zuckerberg fez perguntas aos funcionários na reunião em questão. Um colaborador do escritório da empresa, em Nova York, expressou apoio à decisão do CEO. Mas a grande maioria das perguntas foi mais questionadora e a videoconferência se tornou cada vez mais tensa.

No entanto, em um comunicado, uma porta-voz da rede social disse que "discussões abertas e honestas sempre fizeram parte da cultura do Facebook" e que Zuckerberg estava "grato" pelo feedback dos funcionários.

Ainda assim, a decisão de Zuckerberg em manter as publicações de Trump no Facebook resultou no pedido de demisão de vários funcionários, em protesto. Um deles, inclusive, disse publicamente que a empresa "acabaria no lado errado da história".

Fonte: Canaltech