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Facebook dá à OMS anúncios vitalícios para combater fake news sobre coronavírus

Rafael Arbulu

O vírus COVID-2019 — popularmente conhecido como “coronavírus” —, figura central de uma epidemia globalizada, tomou as manchetes internacionais de assalto, cada uma veiculando informações variadas. Nas redes sociais, o assunto também domina os tópicos de discussão e, infelizmente, nessa última parte, as falsas notícias continuam a aparecer.

Com o objetivo de combater a disseminação de fake news sobre o coronavírus, o Facebook anunciou que dará à Organização Mundial da Saúde (OMS) acesso vitalício e gratuito à plataforma Facebook Ads, usada para veicular anúncios publicitários de vários tipos. A ideia é que, com essa ferramenta em mãos, a OMS, que atua como um braço da Organização das Nações Unidas (ONU) possa desbaratinar campanhas de desinformação sobre o vírus.

Em um post assinado pelo CEO, Mark Zuckerberg, o Facebook diz, ainda, que considera estender o mesmo benefício, em caráter de parceria, para outras organizações de combate à epidemia do COVID-2019: “O nosso foco é assegurar que todos tenham acesso a informações precisas e críveis”, escreveu Zuckerberg. “Isso é algo crítico em qualquer emergência, mas especialmente importante quando há precauções que você possa tomar para reduzir o risco de infecção”.

Ao final de fevereiro de 2020, o Departamento de Estado (DE) norte-americano disse ter encontrado evidências de que agentes russos — e por “agentes”, o DE não foi claro se referia-se a alguma atuação do governo de Vladimir Putin ou se tratavam-se de ações particulares — estariam criando contas falsas no Facebook para gerar confusão e medo sobre o COVID-2019: em um vilarejo da Ucrânia, notícias falsas sobre o assunto geraram tumultos sobre um grupo de refugiados terem ou não vindo da China, o berço do vírus.

O Facebook não tem uma boa imagem pública no que tange campanhas contra a desinformação: apesar da empresa lutar para mudar essa percepção, algumas ações recentes dificultam a sua credibilidade, tal qual o anúncio feito pela rede social há alguns meses de que não excluiria anúncios políticos com conteúdo falso veiculados em sua plataforma.

Segundo a contagem oficial, o Covid-19 já matou mais de 3,2 mil pessoas ao redor do mundo: Facebook anunciou parceria com a OMS para combater veiculação de  fake news sobre o vírus na rede social

No caso do coronavírus, porém, a situação parece se inverter, com a empresa tomando a dianteira e oferecendo um dos seus recursos mais rentáveis de forma gratuita para uma organização globalizada. A ideia é que a OMS publique assuntos desmentindo informações enganosas.

Isso, porém, não deve ser entendido como uma falta de atividade por parte do Facebook: o post de Zuckerberg também ressalta que diversos recursos da rede social já apontam para lados mais críveis da veiculação de informações sobre o coronavírus. Se você, por exemplo, buscar pelo termo “coronavírus” dentro da rede, o primeiro pop up a aparecer será a página oficial da OMS. E se a sua conta for de um país onde a organização tenha relatado, oficialmente, casos de transmissão de pessoa para pessoa, isso será refletido no feed de notícias, com posts de sites e canais confiáveis.

“É importante que todos nós tenhamos um lugar para compartilhar as nossas experiências e falar sobre a epidemia, mas tal qual esclarecem os nossos Termos de Uso, não é permitido que alguém compartilhe algo que coloque outras pessoas em perigo”, escreveu o CEO. “Então estamos removendo afirmações falsas e teorias conspiracionistas que tenham sido marcadas como tal por organizações líderes de saúde. Também estamos impedindo pessoas de rodarem anúncios que tentem tirar proveito da situação — como afirmar que seu produto pode curar a doença”.

Fonte: Canaltech

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