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Facebook avalia reformular Libra diante de desafios regulatórios

Joe Light, Ben Bain e Olga Kharif

(Bloomberg) -- O Facebook e parceiros avaliam reformular o projeto da moeda digital Libra para que a rede aceite várias moedas, como as emitidas pelos bancos centrais, em uma tentativa de ganhar apoio de reguladores globais e dar nova vida ao plano.

Quando o Facebook lançou a Libra, disse que pretendia criar uma moeda digital global única. Qualquer pessoa, especialmente os 1,7 bilhão que não têm conta bancária, poderia enviar dinheiro para qualquer lugar do mundo a um baixo custo e de maneira simples, como mandar uma mensagem de texto.

Oito meses depois, com a forte oposição ao plano, o Facebook e a Libra Association, o consórcio por trás da moeda digital, analisam uma reformulação, disseram três pessoas a par do assunto. A Libra poderia se tornar uma rede de pagamentos para operar com várias moedas, disseram duas pessoas.

As moedas podem incluir as emitidas pelos bancos centrais e lastreadas pelo dólar americano, euro ou outras moedas, disseram as pessoas. A associação planeja divulgar o novo plano para a Libra em breve, disseram as pessoas, que não quiseram ser identificadas porque a reformulação ainda está em andamento e o projeto pode mudar.

O sonho de uma moeda global única não está morto, disse uma das pessoas com conhecimento das mudanças. O novo plano poderia expandir, e não recuar, em relação à visão original, disse a pessoa.

Mas se a nova Libra se tornar mais uma rede de pagamentos em vez de uma criptomoeda global, consumidores nos EUA talvez não veriam muita diferença entre a Libra e sistemas de pagamentos existentes operados pela PayPal Holdings ou por inúmeras fintechs que visam transferir fundos de maneira uniforme ao redor do mundo.

“A Libra Association não alterou seu objetivo de desenvolver uma rede global de pagamentos em conformidade com os regulamentos, e os princípios básicos de design que sustentam esse objetivo não foram alterados”, disse Dante Disparte, chefe de política e comunicações da Libra Association, em comunicado.

O Facebook disse que “continua totalmente comprometido com o projeto”.

O que aconteceu com a Libra desde seu lançamento em junho de 2019 é uma história de arrogância, parlamentares cautelosos, reguladores protetores e parceiros temerosos dos riscos envolvidos. O Facebook e outras 27 empresas anunciaram o projeto como uma maneira de conectar o mundo - além de contornar o sistema financeiro - e reduzir o custo do envio de dinheiro, especialmente para pessoas sem contas bancárias. Membros do projeto incluíam Visa, Mastercard e outras grandes empresas que seriam parceiras do Facebook na administração do sistema.

“Achamos que há muito momentum”, disse Jennifer Campbell, fundadora da Tagomi, um dos novos membros do consórcio. Ela disse que a Libra “é definitivamente, acima de tudo, um sistema de pagamento. Definitivamente, também há uma moeda que faz parte dessa estratégia.”

A Libra ainda pode enfrentar obstáculos. Membros do Congresso dos EUA e autoridades associadas à Libra disseram que o projeto pode ser definido com importância sistêmica, disseram pessoas a par do assunto. Caso isso acontecesse, a Libra poderia ganhar mais uma camada de regulamentação do Federal Reserve, o que significaria seguir suas regras sobre capital acionário e teste de estresse.

O plano original da Libra Association era lançar a criptomoeda este ano, e Campbell disse que a tecnologia já está sendo testada. Mas resolver os desafios regulatórios pode levar muito mais tempo, e o Facebook prometeu que não permanecerá no projeto sem a aprovação dos EUA.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Joe Light em Washington, jlight8@bloomberg.net;Ben Bain em Washintgon, bbain2@bloomberg.net;Olga Kharif em Portland, okharif@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Sara Forden, sforden@bloomberg.net, ;Jesse Westbrook, jwestbrook1@bloomberg.net, ;Nick Turner, nturner7@bloomberg.net, Paula Dwyer

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