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Facebook atrasa entrega de dados e projetos acadêmicos ficam no limbo, diz site

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 16.03.2018: Aplicativo de rede social Facebook. (Foto: Adriana Toffetti/A7 Press/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Facebook tem contado com a ajuda de renomados grupos de pesquisa acadêmicos para melhorar seu combate a padrões de uso nocivo da rede social, como desinformação, manipulação e discurso de ódio nos últimos anos.

Muitas dessas iniciativas estão no limbo por um recorrente atraso da empresa em fornecer dados, conforme relataram pesquisadores ao BuzzFeed, que ouviu uma série de instituições envolvidas em projetos recentes.

No ano passado, a companhia anunciou uma parceria para prover dados a acadêmicos em um trabalho para ajudar pessoas a entender o impacto das redes sociais na democracia, e também para melhorar a defesa da integridade das eleições. 

Em abril deste deste ano, o primeiro lote de propostas foi anunciado, mas muitos dos times dizem estar com trabalhos parados porque a empresa ainda não forneceu os dados sobre compartilhamento de notícias falsas que prometera.

A empresa também se recusou a fornecer dados que originalmente disse que ofereceria, citando preocupações com privacidade, de acordo com o site americano. 

As principais fundações que financiaram o projeto temem que ele não sobreviva. São nomes como Laura e John Arnold Foundation, Democracy Fund e James L. Knight Foundation, que estariam discutindo formas de aumentar a pressão sob a gigante das redes sociais.

Eles relatam que o atraso de projetos também impacta na disponibilidade de recurso. Segundo a reportagem, esse padrão de atrasos do Facebook iniciou em 2016, com o anúncio de parcerias com checadores de notícias terceirizados. "Quase dois anos e meio depois, eles começaram a receber dados sobre a efetividade de seus trabalhos", diz o BuzzFeed.  

Outra iniciativa é o arquivo de anúncios, que oferece informações sobre quem compra anúncios e para quais usuários os direcionam. Recentemente, um pesquisador o chamou de "quebrado" em artigo no New York Times, dizendo ser impossível extrair os dados necessários de um arquivo. 

Já a ferramenta que permite aos usuários "limpar o histórico", prometida por Mark Zuckerberg em maio de 2018, na conferência anual de desenvolvedores da empresa, foi lançada mais de um ano depois e, em vez de apagar dados, só limita as maneiras pelas quais a empresa os usa para publicidade

Apesar das críticas, alguns estudiosos, como Gary King, cofundador do Social Science One e diretor do Instituto para Ciências Sociais e Quantitativas de Harvard, dizem estar confiantes no processo. "Tudo o que fizemos e propomos nunca foi feito antes. O fato é que é mais difícil do que esperávamos, e é como a pesquisa funciona", disse.

Ao BuzzFeed, um porta-voz da companhia disse que ter conhecimento de que alguns dados originalmente prometidos não serão entregues, mas que o motivo é a preocupação com a privacidade, segurança e a adequação às leis de proteção de dados.

"À medida que desenvolvemos esses esforços, continuaremos a nos engajar com especialistas externos em maneiras de fornecer insights significativos sobre o papel da tecnologia na sociedade e, ao mesmo tempo, proteger a privacidade das pessoas", afirmou.