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Facebook é criticado após banir pesquisadores de anúncios políticos na rede

·3 minuto de leitura

O Facebook foi acusado de banir contas de acadêmicos que analisaram anúncios políticos e criticaram a falta de transparência sobre esta temática na rede social. Diversos políticos dos Estados Unidos já se posicionaram contra a ação da empresa, considerada como censura e tentativa de abafar problemas com publicidade.

Os estudiosos integram o NYU Ad Observatory e criaram um plugin para os navegadores Firefox e Chrome chamado Ad Observer, cujo foco era identificar a coleta de dados acerca de anúncios criados ou patrocinado por políticos. O complemento captura parâmetros de segmentação e metadados associados, mas não acessa posts ou informações pessoais, garantem os criadores.

O plugin não se restringe apenas ao Facebook, mas também coleta dados no YouTube (Imagem: Reprodução/AdObserver)
O plugin não se restringe apenas ao Facebook, mas também coleta dados no YouTube (Imagem: Reprodução/AdObserver)

Segundo o observatório, isso foi necessário porque o Facebook não fornece tais informações, o que inviabilizaria a pesquisa. Além disso, os pesquisadores afirmam haver casos em que a plataforma não rotula anúncios como tal e isso pode confundir o usuário. Esses são os dados coletados, segundo o site do plugin:

  • O nome do anunciante e a informações de divulgação.

  • O texto, a imagem e o link do anúncio.

  • As informações que o Facebook fornece sobre como o anúncio foi direcionado.

  • Quando o anúncio foi mostrado.

  • Idioma do navegador.

A Mozilla foi a responsável por conduzir o estudo sobre a privacidade e incentivar a produção do trabalho dos cientistas. A companhia analisou o código e o fluxo de consentimento do plugin e não encontrou problema algum, por isso classificou a atitude da rede como errada e rechaçou a justificativa dada, de que havia problemas de privacidade das contas.

Já o Facebook defendeu sua decisão porque entende que o plugin ameaçava a privacidade dos usuários. A rede afirma haver coleta de informações sobre terceiros, incluindo o nome de usuário e a foto de terceiros envolvidos em posts impulsionados, mesmo que não tenham nada a ver com a elaboração do anúncio. A atitude é compreensível, já que o escândalo Cambridge Analytica — que expôs dados de milhões de perfis indevidamente — surgiu exatamente quando pesquisadores terceirizados vasculharam o site em busca de dados do usuário.

Falta de transparência?

Criadora do navegador Firefox, a Mozilla é reconhecida por seu comprometimento com a segurança do usuário. A organização explica que toda a coleta pode ser acessada pelo usuário na guia “Meu Arquivo” do plugin. Se julgar haver informações demais capturadas, é possível fazer ajustes e restringir, por exemplo, dados demográficos.

Senadores estadunidenses se mostraram preocupados com essa suposta “falta de transparência” do Facebook sobre os anúncios políticos. “Esta última ação do Facebook para cortar os esforços de transparência de um grupo externo — esforços que têm facilitado repetidamente revelações de anúncios que violam os Termos de Serviço do Facebook, fraudes e esquemas financeiros predatórios — é profundamente preocupante”, disse o senador Mark R. Warner.

Será que Mark Zuckerberg precisará prestar novos depoimentos aos políticos dos EUA? Se a questão tomar maiores proporções, os senadores provavelmente vão querer ouvir o posicionamento a rede sobre a transparência dos anúncios. Aguarde a cena dos próximos capítulos.

Fonte: Canaltech

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