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FAA alerta sobre incidentes causados por jatos quase vazios

Alan Levin
·3 minutos de leitura

(Bloomberg) -- Um jato de passageiros quase vazio “subiu como um foguete”, levando pilotos a ultrapassar a altitude permitida. Outros aviões arranharam a cauda na decolagem, saíram do curso ou se aproximaram o suficiente de outras aeronaves para soar alertas sobre possíveis colisões no ar.

O ponto em comum: a paralisação do setor aéreo causada pela pandemia de Covid-19.

Embora o menor número de viagens tenha reduzido a pressão nas estradas e no sistema de aviação, por vezes teve o efeito oposto em segurança. A taxa de mortes em rodovias aumentou, pois motoristas aceleram nas estradas vazias. E o menor número de passageiros de companhias aéreas provocou uma série atípica de incidentes que desafiam a segurança dos voos, de acordo com relatos publicamente disponíveis, além de informações de autoridades do governo, do setor e de sindicatos.

Além disso, o lento aumento do tráfego aéreo cria suas próprias demandas, à medida que as aeronaves aterradas retomam o serviço e pilotos que podem ter perdido sessões de treinamento são chamados de volta ao trabalho.

No mês passado, a Equipe de Segurança de Aviação Comercial, composta pela Administração Federal de Aviação dos EUA, sindicatos e funcionários de companhias aéreas, emitiu mais de 50 alertas às companhias aéreas sobre os fatores atípicos que precisam ser monitorados mais de perto durante os recentes problemas do setor, de acordo com documentos revisados pela Bloomberg.

Eles incluem o rastreamento de dados de segurança relacionados a aeronaves atipicamente leves, o estresse de funcionários com medo de serem infectados pela Covid-19 e a possível contaminação por combustível em aviões aterrados.

“Essas mudanças dinâmicas estão criando pontos de estresse em nossos sistemas e processos”, afirmou o grupo em um dos documentos.

Os detalhes dos incidentes começaram a aparecer rapidamente no Sistema de Relatórios de Segurança da Aviação da NASA, que publica relatos de campo anônimos após validar a autenticidade.

Nesses informes, pilotos relatam que os aviões, agora muito leves, mostram desempenho inesperado, como subir tão rápido ao ponto de ultrapassar as altitudes permitidas ou não conseguirem manter a pressão do ar na cabine. Outros disseram que o processo de embarque foi tão rápido que se esqueceram de terminar a documentação de segurança.

Milhares de aviões estão aterrados, alguns deles nas pistas dos principais aeroportos. Rotinas normais de voo estão sendo interrompidas. Treinamentos estão sendo adiados. E equipes de companhias aéreas enfrentam a ameaça iminente de infecção e a perda da segurança no emprego.

“Certamente, há uma preocupação de que todas essas coisas possam ser uma distração para as tripulações e resultar em uma situação indesejável”, disse Hassan Shahidi, presidente da Flight Safety Foundation, uma organização sem fins lucrativos.

Não houve incidentes significativos, disseram Shahidi e outras pessoas com conhecimento dos dados coletados pelas companhias aéreas.

“Apesar das circunstâncias desafiadoras, a agência continua a fornecer o mesmo alto nível de supervisão de segurança das companhias aéreas e de outras operadoras que o público espera e merece”, disse a FAA em comunicado. “Estamos monitorando de perto os dados que recebemos dos sistemas de relatos voluntários e aumentamos o número de reuniões de compartilhamento de informações que realizamos com as operadoras.”

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