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Fúria contra o racismo ressurge nos EUA com manifestações e boicotes no esporte

Cyril JULIEN con Charlotte PLANTIVE en Washington
·4 minutos de leitura
Manifestante segura cartaz que diz "parem de matar pessoas de cor (negras)", em Kenosha (Wisconsin)

Fúria contra o racismo ressurge nos EUA com manifestações e boicotes no esporte

Manifestante segura cartaz que diz "parem de matar pessoas de cor (negras)", em Kenosha (Wisconsin)

O caso de Jacob Blake, um cidadão negro alvejado por sete tiros à queima-roupa por um policial branco, reacendeu a fúria contra o racismo nos Estados Unidos, com novos protestos na noite de quarta-feira (26) e um boicote do mundo esportivo.

Uma calmaria precária reinou na manhã desta quinta-feira (27) em Kenosha, Wisconsin, norte do país, onde são esperados reforços federais de policiais e soldados da Guarda Nacional, depois que confrontos entre manifestantes e grupos de autodefesa deixaram dois mortos e um gravemente ferido na noite de terça-feira. 

Um adolescente de 17 anos, que publicava várias mensagens de apoio à polícia nas redes sociais e exibia sua adoração às armas, foi preso na quarta-feira e acusado pelos assassinatos. Ele é suspeito de abrir fogo contra manifestantes com um rifle de assalto.

Na quarta-feira à noite, centenas de pessoas voltaram a desafiar o toque de recolher imposto pelas autoridades e marcharam pacificamente pelas ruas desta cidade de 170.000 habitantes onde um policial deu sete tiros nas costas de Blake, de 29 anos, diante dos três filhos da vítima.

"Todo mundo está esperando que saíamos furiosos, que enlouqueceremos pela quarta noite, mas estamos fazendo um protesto pacífico como supõe-se que devemos fazer", disse à AFP Big Homie Trail, um músico que participou do protesto. 

A noite foi mais caótica em Oakland, Califórnia, onde um tribunal foi atacado; e em Minneapolis, Minnesota, onde cerca de 20 comércios foram saqueados e vandalizados em meio a um rumor infundado de um novo ato de violência policial. 

Essa cidade está à flor da pele desde 25 de maio, quando George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu asfixiado por um policial branco durante sua prisão. Essa morte violenta desencadeou uma onda de protestos a favor dos direitos civis sem precedentes em décadas. 

- Boicotes no mundo do esporte -

O movimento havia diminuído nas últimas semanas, mas o caso de Jacob Blake reabriu as feridas. Embora tenha sobrevivido ao ataque policial, Blake corre sérios riscos de ficar paralítico, de acordo com sue advogado.

O Departamento de Justiça anunciou, na quarta-feira à noite, que vai abrir uma investigação por possível violação dos direitos civis contra o agente Rusten Sheskey, que atirou em Blake.

Até o momento, Sheskey está demitido mas não foi preso, muito menos acusado.

As imagens dos disparos contra Blake provocaram uma mobilização inédita no mundo do esporte, iniciada pela equipe de basquete Milwaukee Bucks. Seus jogadores boicotearam uma partida e obrigaram a NBA a adiar vários outros jogos de quarta e quinta-feira.

A NBA espera retomar os jogos na sexta-feira ou no sábado, informou o vice-presidente da liga, Mike Bass.

"Exigimos uma mudança. Estamos fartos disso", escreveu no Twitter a estrela dos Los Angeles Lakers, LeBron James, pouco depois da decisão dos Bucks.

Segundo vários meios, Lakers e Los Angeles Clippers votaram a favor de abandonar a temporada da NBA.

Já a tenista japonesa Naomi Osaka anunciou na quarta-feira que não jogaria a semifinal do torneio de Cincinnati, mas acabou voltando atrás após a organização do torneio adiar o jogar para sexta-feira. Jogos de futebol e basebol também foram adiados.

- "Lei e ordem" -

Sem dizer uma palavra sobre Jacob Blake, o presidente Donald Trump optou por criticar os incidentes que aconteceram durante a manifestação. Na quarta-feira, o republicano afirmou não estar disposto a tolerar "a anarquia nas ruas dos Estados Unidos".

Nesta quinta-feira, Trump irá pronunciar seu discurso de aceitação da indicação do Partido Republicano para concorrer à reeleição em novembro. Protestos contra o mandatário são esperados.

Também estão previstos protestos em Washington, onde se espera igualmente que dezenas de milhares de pessoas participem na sexta-feira em uma manifestação pela igualdade no 57º aniversário do discurso histórico do líder dos direitos civis, Martin Luther King Jr.

Um dos organizadores do protesto, o emblemático ativista dos direitos civis Jesse Jackson, chegou a Kenosha para exigir que os policiais envolvidos no ataque contra Blake respondam criminalmente pelo incidente.

Em coletiva de imprensa, Jackson incentivou os americanos a votar nas próximas eleições "para acabar com o deserto moral no topo" do estado e acusou Trump de ter "pouca inspiração de justiça e decência".

Jackson, um pastor batista, pediu aos manifestantes que mantenham a calma. "Não deixemos que os incêndios se tornem a imagem da campanha", concluiu.

str-pmh/ad/rsr-gma/dga/am