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Fórum promove debate on-line sobre representatividade e diversidade racial no setor público

Camilla Pontes
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Foto: Nappy.co

Acontece nesta quarta-feira, a partir das 17h, o fórum on-line “Onde Estão os Negros no Serviço Público?”, organizado pela República.org, instituição apartidária e não corporativa que se dedica a contribuir para a melhoria do serviço público no Brasil. A inscrição gratuita pode ser feita pelo site www.negrosnoservicopublico.com.

— A gente se propõe a fazer um papel de denúncia e de conscinentização ao mesmo tempo para que essas instituições e pessoas possam entender a importância da pauta e que consigam compreender que a pauta racial é transversal a todo o Estado, a todas as políticas públicas e não é apenas um elemento extra que fica por fora das discussões — explica Joyce Trindade, analista de diversidades e redes da República.org.

O evento faz parte da campanha de nome homônima ao fórum, que também lançou um e-book com o levantamento de dados realizado pelas jornalistas Bárbara Libório e Jamile Santana e abriu uma chamada para o "Desafio Lideranças Públicas Negras" que premiará com R$ 10 mil ações efetivas para promoção de pessoas negras em cargos de lideranças no setor público.

As submissões para participar do desafio vão até o dia 13 de dezembro e devem ser feitas no site www.catalise.social/desafio-liderancas-publicas-negras

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Os estudos da instituição revelam que as pessoas negras representam 54% da população brasileira, mas estão longe de ocupar a mesma proporção em cargos do serviço público. No Governo Federal, por exemplo, são apenas 35,6% dos servidores. Somente 5,9% dos diplomatas brasileiros são negros.

Outro ponto analisado pela República.org foi a ausência de dados sobre os servidores públicos negros. De mais de cinco mil municípios brasileiros, apenas São Paulo faz a publicização dos dados raciais.

— Quando as pessoas diversas estão em cargos de liderança de políticas públicas, elas conseguem levar suas perspectivas, suas vivências para dentro daquelas políticas e aí a gente afeta a maioria da população, porque a gente fala da composição da população brasileira de 54% de pessoas negras. A gente percebe que o serviço público ainda tem uma visão sem observar os dados raciais, muito porque os agentes e instituições não visualizam a importância desse questionamento. Então a gente tenta mostrar que isso é estratégico para que as políticas públicas sejam mais efetivas — complementou Joyce.