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Fórum online 8chan volta à internet com novo nome: 8kun

Rafael Arbulu

O fórum online 8chan, conhecido por ser a plataforma favorita para a divulgação de manifestos terroristas em incidentes famosos, como o tiroteio de El Paso e os ataques de Christchurch, está de volta à internet com um novo nome: 8kun. O fórum estava fora do ar desde agosto de 2019, quando o fundador e administrador Jim Watkins disse estar impossibilitado de manter a plataforma no ar após diversas empresas cancelarem suas ofertas de serviço, como hospedagem e publicação de conteúdo, para a marca.

O “novo” fórum tem um visual bastante similar ao predecessor e, segundo Ron Watkins, filho de Jim, os subfóruns do antigo portal ainda estão em fase de migração para a nova plataforma. Notavelmente, por exemplo, o fórum de política (/pol/), um dos preferidos para que autores de atentados terroristas publicassem seus manifestos, ainda está ausente no novo serviço. Os autores de Christchurch e El Paso, bem como Poway (Califórnia), publicaram cartas e documentos de suas intenções no fórum antigo, normalmente recebendo aplausos da comunidade de usuários apesar dos esforços dos moderadores em coibir discursos de intenções violentas.

O novo banner, mostrando o retorno do 8chan, agora como "8kun" (Imagem: Reprodução/Watkins/YouTube)

O 8kun possui diversas citações de discursos de liberdade de expressão e posicionamento anticensura. Jim Watkins disse, durante depoimento no passado, que a política de sua empresa é a de remover conteúdo apenas em caso de ilegalidade, como ameaças explícitas de ações violentas. Segundo ele, discursos de ódio não seriam removidos por terem “direito à liberdade de expressão”. “A minha empresa não tem qualquer intenção de deletar discursos de ódio constitucionalmente protegidos. Eu acredito que o remédio para esse tipo de discurso é o ‘contra-discurso’, e estou certo de que esta é a visão do sistema judiciário americano”, ele disse ao Congresso. Não está claro, porém, se o mesmo posicionamento se aplica ao 8kun.

A notícia do relançamento do site já foi suficiente para causar problemas à empresa: Watkins disse que o excesso de usuários buscando acessar o fórum fez com que a página ficasse indisponível no último final de semana. O 8kun, por ora, encontra-se acessível somente via Tor, o navegador de preferência para internautas que querem acessar a dark web. Talvez ironicamente, mesmo com o acesso feito por um browser que priorize o anonimato, um bug no 8kun estava revelando nomes por trás dos nomes de usuários de algumas pessoas, segundo confirmou o próprio Watkins.

O operador do 8chan e do atual 8kun, Jim Watkins (Imagem: Reprodução/The Goldwater/YouTube)

A comunidade entusiasta da teoria da conspiração ultra-direita conhecida como “QAnon” também mostrou-se empolgada com a novidade: a teoria em questão diz que um usuário da administração presidencial de Donald Trump comumente postava no antigo 8chan sob o nome “Q”, fazendo falsas acusações contra o Partido Democrata e tentando defender o atual presidente dos Estados Unidos de acusações que lhe colocaram sob suspeita ao longo dos anos: pela teoria, diversos representantes de alto escalão dos Democratas ou comandam, ou participam de uma rede de tráfico sexual de crianças, e que Trump teria apenas fingido um conluio com os russos para impedir um golpe de estado a ser dado por Barack Obama, Hillary Clinton e George Soros, este último, um filantropo e investidor bilionário cujo nome é comumente atrelado a teorias sem fundamento contra políticas de esquerda.

O suposto “Q” já teria feito um ou mais posts dentro do 8kun, algo que, em tese, não acontece desde que o 8chan fora definitivamente desligado em agosto.


Fonte: Canaltech

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