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Fórmula 1: George Russell pisa fundo para passar na 'prova final' da Mercedes

Tatiana Furtado
·3 minuto de leitura

BAHREIN – Se a primeira impressão é a que fica, George Russell marcou muitos pontos com a chefia da Mercedes. Escolhido para substituir o heptacampeão Lewis Hamilton, diagnosticado com Covid-19, no GP de Sakhir, o jovem inglês de 22 anos voou nos primeiros treinos livres de sexta-feira. Ainda faltam o treino classificatório, neste sábado, e a corrida de domingo para a "entrevista de emprego futuro" estar completa.

Ainda que o companheiro de equipe Valtteri Bottas tenha tido problemas com pneus e cometido erros nos treinos livres, a velocidade do jovem piloto impressiona. Não foi à toa que o chefe da Mercedes, Toto Wolff, preteriu os reservas da equipe, Stoffel Vandoorne e Esteban Gutiérrez, por Russell, que vem da escola de pilotos da escuderia alemã e atualmente está na Williams, e também já garantido em 2021.

O inglês é uma das promessas da Fórmula 1 e a Mercedes o vê como um possível substituto num futuro seja para Bottas ou Hamilton, que ainda não renovou seu contrato a ser encerrado no fim do mês. O GP de Sakhir e, talvez o de Abu Dhabi caso o heptacampeão não possa retornar, são provas finais para piloto que há duas temporadas guia o pior carro do grid.

Dentro das possibilidades, no entanto, Russell tem apresentado os resultados que o credenciam a assumir futuramente um dos cockpits da Mercedes. Em 9 das 15 corridas do ano, até aqui, conseguiu levar a Williams para o Q2 (a segunda parte do treino de classificação com os 15 carros mais rápidos). Até o momento, seu melhor lugar no grid foi um 11º no GP da Estíria, na Áustria. Ainda não pontuou.

– O que credencia o Russell a essa chance na Mercedes é o passado dele. Por onde ele passou nas categorias de base, ele venceu, algo semelhante ao que aconteceu com o próprio Hamilton. Já é reconhecido como um grande talento. Hamilton já disse que ele tem as qualidades para ser um futuro campeão. E concordo com isso. Se você vê o que ele vem fazendo, a velocidade com que corre com o pior carro do grid, é de alguém que tem algo especial ali – diz o comentarista da Rede Globo e ex-piloto da F1, Luciano Burti.

Burti faz algumas ressalvas, no entanto. Pilotar um carro desconhecido, no fim da temporada, com uma adaptação forçada de última hora podem pesar contra Russell.

– Andar na frente, sob pressão e com um companheiro de equipe super competitivo com o Bottas é uma outra história. Vamos ver como ele se sai e se corresponde a essa expectativa que existe sobre ele num carro de ponta. A gente viu, por exemplo, em 2016, o Verstappen na estreia pela RBR, vindo da STR, vencer a primeira a corrida em Barcelona. É aí que se mostra um piloto de futuro, de muito talento.

Russell também poderá ser testado como companheiro de equipe. Bottas ainda disputa a vice-liderança do campeonato com Max Verstappen, que está a apenas 12 pontos do finlandês.