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Fábricas de ração da Ásia buscam milho da Ucrânia em meio a problemas em safra dos EUA

Por Naveen Thukral
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Por Naveen Thukral

CINGAPURA (Reuters) - Algumas produtoras de ração da Ásia estão tendo de pagar mais por milho de maior qualidade proveniente da região do Mar Negro, uma vez que os Estados Unidos, importante e tradicional fornecedor, encaram uma safra afetada por questões climáticas.

China, Coreia do Sul e Bangladesh se voltaram para a Ucrânia para suprir parte de suas demandas por milho para entrega em fevereiro, de acordo com três fontes do mercado e dados de navios.

"A Ucrânia possui amplas ofertas, mas os preços subiram, já que há forte demanda asiática", disse um operador de uma importante trading global em Cingapura.

O milho da Ucrânia, uma das poucas origens do mundo que ainda possuem reservas de alta qualidade do grão, é cotado a 220 dólares por tonelada (incluindo custo e frete) para entrega em fevereiro na Coreia do Sul, o que representa uma alta de cerca de 10 dólares por tonelada em apenas um mês, segundo fontes.

No ano passado, a safra de milho dos EUA enfrentou muitas dificuldades para desenvolvimento, com chuvas excessivas atrasando o plantio em abril e a forte umidade durante a colheita danificando cultivos em agosto e setembro.

Os contratos futuros do milho negociados na bolsa de Chicago apresentaram poucas alterações desde o início de 2020, após terminarem o ano passado com modesta alta.


MILHO DOS EUA TEM QUALIDADE INFERIOR

A produção de milho dos EUA é classificada em uma escala que vai de 1 a 4 (ordem decrescente de qualidade), com o produto negociado em Chicago sendo posicionado na categoria 2.

"Neste ano, há mais milho de categorias 3 e 4, especialmente na safra que é embarcada para o Norte da Ásia através dos portos do noroeste do Pacífico", disse um segundo operador com base em Cingapura.

"Os portos do Golfo estão recebendo milho de melhor qualidade, mas é caro embarcar grãos dos terminais do Golfo para a Ásia."

Dessa forma, o milho ucraniano deve dominar os mercados asiáticos em fevereiro.

"Notamos um aumento nos preços do milho, que é guiado principalmente pelo ritmo mais forte de exportação", disse em nota a consultoria ucraniana APK-Inform, que vê ofertas do produto entre 180 dólares e 182 dólares por tonelada (FOB) para entrega em fevereiro.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento da Economia, Comércio e Agricultura da Ucrânia, até 20 de janeiro o país havia exportado 14,2 milhões de toneladas de milho na temporada 2019/20, contra 11,2 milhões em igual período do ano passado.

Cerca de 13 milhões de toneladas ainda estão disponíveis para embarque nesta temporada.

A qualidade das ofertas deve diminuir a partir de março, quando o milho da Argentina chega ao mercado, com os preços tendendo a recuar de abril em diante, disseram operadores.

(Reportagem de Naveen Thukral, com reportagem adicional de Pavel Polityuk em Kiev)