Mercado fechado

Extinção de municípios tem chances mínimas, diz presidente da Fiemg

Marcos de Moura Souza

Segundo o gestor da Federação das Indústrias de Minas, vários parlamentares já procuraram a entidade para apontar os problemas da medida O presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, afirmou nesta quinta-feira que o governo federal não deve gastar energia para tentar levar adiante a proposta defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de extinção de municípios pequenos que não se sustentam financeiramente.

“Eu diria que as chances de isso ser aprovado são mínimas em função da grande mobilização desses 1.200 municípios que seriam extintos e da pressão que será exercida sobre a classe política”, disse Roscoe ao Valor.

“Vários parlamentares já nos procuraram pedindo para a Fiemg se manifestar a respeito dos problemas que poderiam ser ocasionados com a extinção desses municípios de um dia para a noite”, acrescentou.

Segundo ele, embora haja uma lógica econômica clara por trás da fusão desses municípios a outros maiores, há uma dimensão social e de facilidade da população de lidar com problemas locais com sua prefeitura. “Tem coisas que não podem ser vistas só pela prevalência econômica”, disse.

Minas Gerais tem 853 municípios, o maior número entre todos os Estados do país. De acordo com levantamento feito ontem pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), pelos critérios expressos na Proposta de Emenda à Constituição apresentada na terça-feira ao Congresso, 233 cidades mineiras deixariam de existir como tal, sendo absorvidas por cidades vizinhas maiores.

“Esse é um projeto de muita dificuldade política de ser aprovado e acredito que o governo não deva gastar tanta energia com isso, mesmo porque tem outras ineficiências do Estado que estão sendo corrigidas no projeto e que são muito mais relevantes”, afirmou.

Roscoe participou de um encontro sobre negócios no âmbito dos Brics (conjunto de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e que ocorre nesta quinta em Belo Horizonte com a presença de empresários e executivos de bancos e fundos.