Exterior ruim põe dólar em alta e Bovespa em baixa

Os mercados internacionais não oferecem trégua aos negócios domésticos nesta sexta-feira espremida entre o feriado no Brasil, na quinta-feira, e o fim de semana. O sinal negativo que prevalece entre os ativos de risco, antes da reunião do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com líderes do Congresso para discutir o chamando abismo fiscal deve colocar o dólar em alta e a Bovespa em baixa. Já as taxas futuras dos juros não devem abandonar a tendência de estabilidade e tendem apenas a monitorar o comportamento do exterior e do câmbio no Brasil. A liquidez para o dia deve ser reduzida em todos os mercados nacionais.

Por volta das 9h40 o Ibovespa futuro caía 0,55%, aos 55.730 pontos. O economista da Órama Investimentos, Álvaro Bandeira, lembra que a Bolsa brasileira tem expressivos ajustes a fazer no pregão desta sexta-feira por causa do fechamento mais negativo das Bolsas de Nova York ao final de quarta-feira e da continuidade da queda dos índices acionários norte-americanos na quinta-feira.

Além disso, os recibos de ações brasileiras (ADRs) recuaram em Wall Street, com destaque para as novas perdas entre as empresas de energia elétrica e das blue chips, Petrobras e Vale. É válido lembrar que na segunda-feira acontece o vencimento de opções sobre ações.

Com isso, avalia Bandeira, "vamos perder suporte importante em 56,2 mil pontos". Perdida esta região, segundo análise gráfica da Um Investimentos, o próximo suporte estaria nos 54 mil pontos. E, considerando-se a sinalização vinda do exterior, a Bolsa brasileira pode se aproximar dessa marca.

No horário acima, o índice futuro do S&P 500 caía 0,23% e o Nasdaq 100 futuro recuava 0,24%. As atenções estão voltadas para a reunião entre Obama e líderes do Congresso na Casa Branca, para dar início às negociações a fim de evitar que uma série de cortes de gastos e aumentos de impostos automáticos entre em vigor no começo do ano que vem.

Já na agenda de indicadores econômicos, o destaque é o resultado da produção industrial dos EUA e a utilização da capacidade instalada em outubro, às 12h30. Mais cedo, às 12 horas, sai o fluxo líquido de capital no país em setembro.

Na Europa, ainda por volta das 9h40, as bolsas de Paris e de Frankfurt cediam 0,26% e 0,58%, nesta ordem, um dia após a zona do euro confirmar que voltou para a recessão, dois anos depois de dar início à retomada econômica. Por lá, as expectativas recaem no encontro de ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo), que acontece na semana que vem e que deve decidir sobre à liberação de ajuda financeira à Grécia.

O país mediterrâneo está em processo de pagar a dívida de € 5 bilhões que vencem nesta sexta-feira, evitando um calote (default), segundo fonte da agência de gestão da dívida do país. O compromisso seria honrado a partir do montante levantado pela Grécia em leilões realizados ao longo desta semana.

Em meio a esse conturbado cenário externo e à menor disposição ao risco, o dólar deve ganhar terreno ante o real nesta sexta-feira. Por volta das 9h40 o dólar à vista era negociado a R$ 2,073, em alta de 0,29%. Na máxima até então, a moeda norte-americana foi a R$ 2,075. Entre as moedas estrangeiras, destaque para o iene, que tenta recuperar terreno ante o dólar. Ainda no mesmo horário, o dólar subia a 81,16 ienes, de 81,15 ienes no fim da tarde de quinta-feira em Nova York. Os investidores avaliam a possibilidade de mudança no quadro político no Japão, após a decisão do primeiro-ministro, Yoshihiko Noda, de dissolver a Câmara Baixa do Parlamento e convocar a primeira eleição geral desde 2009.

O novo patamar testado pelo dólar no Brasil realimenta preocupações com a inflação, o que poderia estimular a alta das taxas futuras de juros. Porém, os contratos de depósitos interfinanceiros (DIs) devem oscilar próximo da estabilidade nesta manhã, devido à liquidez reduzida após o feriado. "O dia deve ser sonolento", disse um operador de renda fixa, que prefere não ter seu nome revelado.

Na ausência de indicadores domésticos, o mercado de juros futuros monitora a reunião trimestral de economistas com o Banco Central em São Paulo. O diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo, participa do evento, que deve ocorrer das 11h30 às 13 horas e será fechado à imprensa. Ainda na opinião do profissional citado acima, "mesmo que Hamilton diga algo novo na reunião, não vai influenciar as expectativas para o próximo encontro do Copom (Comitê de Política Monetária)", nos dias 27 e 28. "Mas sim em decisões futuras", acrescentou.

Por volta das 9h40, na BM&FBovespa, o contrato do DI com vencimento em janeiro de 2014 tinha taxa de 7,39%, de 7,41% no ajuste anterior. Entre os vencimentos longos, o DI para janeiro de 2017 projetava 8,81%, de 8,82%; e o DI com vencimento em janeiro de 2021 apontava 9,43%, de 9,47%.

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