Exterior pressiona e dólar fecha acima de R$ 2,04

O dólar à vista encerrou o segundo pregão consecutivo em alta nesta semana no mercado de balcão e, nesta quarta-feira, fechou cotado acima de R$ 2,04. O movimento da moeda dos EUA ante o real acompanhou a trajetória no exterior, em meio à redução na projeção de crescimento global pelo Banco Mundial e com um fluxo de saída de recursos no mercado interno, nesta quarta-feira, que também pressionou o dólar para cima. Ao final da sessão, o dólar ficou cotado a R$ 2,044, com alta de 0,39%

"Preocupação com discussões em torno do teto de endividamento dos EUA e rebaixamento das projeções de crescimento mundial para este ano influenciaram negativamente os investidores", disse o consultor de pesquisas econômicas do Banco de Tokyo-Mitsubishi UFJ, Maurício Nakahodo.

"Hoje foi um dia de mais saídas, realmente, mantendo a moeda bem pressionada. O dólar (para fevereiro) já bateu R$ 2,05 ao longo dos negócios e a moeda à vista certamente irá bater este nível logo, provavelmente amanhã", observou o gerente de câmbio da Multi Money Corretora de câmbio, Durval Corrêa.

No mercado à vista de balcão, o dólar tocou R$ 2,0460 na máxima cotação do dia e bateu R$ 2,0350 na mínima - marcando oscilação de 0,54% entre estas duas pontas no pregão de hoje. Na BM&F, o dólar pronto foi cotado a R$ 2,0415, com alta de 0,27%, e um negócio registrado. Na clearing, o giro financeiro somava US$ 2,598 bilhões (US$ 2,315 bilhões) em torno das 16h10. O dólar para fevereiro oscilava em R$ 2,0485, abaixo da máxima cotação alcançada, de R$ 2,0505.

No mesmo horário, o euro operava em US$ 1,3279, ante US$ 1,3260, cotação em torno das 11 horas, e de US$ 1,3263 no fim da tarde de ontem. No mesmo horário, o dólar norte-americano subia 0,22% ante o dólar canadense e ganhava 0,12% ante a coroa norueguesa.

Na terça-feira (15) à noite, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, afirmou que o nível do euro está "perigosamente alto". Nesta quarta-feira, o Banco Mundial citou que uma guerra cambial é uma possibilidade, mas improvável.

Quanto à economia global, as batalhas orçamentárias nos Estados Unidos estão limitando o crescimento econômico em todo o mundo, representando um risco maior para a economia mundial do que a crise da zona do euro, afirmou o Banco Mundial. A mais recente previsão do banco para 2013, de crescimento de 2,4%, foi mais baixa do que a estimativa divulgada em junho, quando a instituição estimou crescimento global de 3,0%.

Os preços mundiais das commodities recuarão em 2013, mas ainda na avaliação do Banco Mundial, essas cotações, mesmo que tenham certo declínio, continuarão altas e impondo mais pressão sobre as moedas de grandes exportadores de commodities, como Brasil e Austrália.

No ambiente interno, segundo o Banco Central, a entrada de dólares no País superou a saída em US$ 254 milhões em janeiro até o dia 11. No segmento financeiro, o saldo ficou positivo em US$ 2,313 bilhões no período. As operações comerciais, no entanto, mostram uma saída líquida de US$ 2,058 bilhões no período.

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