Exterior e posição de bancos impulsionam dólar ante real

As preocupações com a situação fiscal dos Estados Unidos e a crise na Grécia, que prejudicaram os ativos de maior risco principalmente na primeira metade dos negócios, serviu de combustível para a alta do dólar ante o real nesta sexta-feira. O fato de os bancos no Brasil estarem vendidos (apostando na queda da moeda americana) tanto no mercado à vista (spot) quanto no futuro, o que eleva o risco, ampliou o estresse na sessão. Com isso, o dólar chegou a marcar pela manhã a máxima de R$ 2,0680 no balcão (alta de 1,27%) e a moeda americana para dezembro atingiu a máxima de R$ 2,0735 (elevação de 1,32%) no mercado futuro.

Ao fim do pregão, o dólar à vista mostrou alta mais modesta, de 0,29% no balcão, cotado a R$ 2,0480. A moeda permaneceu em território positivo durante todo o dia. Na BM&F, a moeda à vista fechou em alta de 0,26%, a R$ 2,0451, com seis negócios. Às 16h55, o dólar para dezembro de 2012 estava cotado a R$ 2,0535, em alta de 0,34%.

Chama a atenção no mercado futuro, onde as operações prosseguem até as 18 horas, o volume de negócios ao longo do dia. Até as 16h36, o volume financeiro total neste segmento de dólar somava US$ 19,153 bilhões, sendo US$ 19,009 bilhões para o contrato de dezembro. O montante é superior ao registrado nas sessões das últimas semanas. Na véspera, por exemplo, quando o volume já havia sido mais alto, o total foi de US$ 13,214 bilhões e o contrato de dezembro havia movimentado US$ 13,081 bilhões.

O movimento maior está ligado à posição dos bancos, que estão vendidos tanto no mercado à vista quanto no futuro. A situação, que se tornou mais clara na última quarta-feira, quando o Banco Central divulgou dados mostrando que os bancos encerraram outubro vendidos no mercado spot em R$ 3,658 bilhões - algo que não ocorria desde dezembro do ano passado -, ampliou o risco das instituições financeiras. Como consequência, criou-se uma situação em que precisam reduzir a exposição vendida no mercado futuro - ou seja, precisam ir às compras.

As ordens de compra de moeda no segmento futuro teriam partido, ao longo do dia, principalmente de dois grandes bancos, que buscavam reverter posições. O movimento de busca por moeda no futuro estava em sintonia com o exterior ruim, onde o dólar também ganhava espaço em meio às preocupações com a Europa e os Estados Unidos. "Pela manhã, o mercado chegou a estressar bastante, porque havia uma posição propícia a isso no Brasil, por causa dos bancos", comentou o economista Alfredo Barbutti, da BGC Liquidez Corretora. "Por trás de tudo há a questão do abismo fiscal norte-americano", ressaltou, em referência à possibilidade de, em janeiro, uma série de incentivos à economia norte-americana desaparecer.

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