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Exterior e Petrobras levam Ibovespa ao recorde de 109 mil pontos

Juliana Machado

No mercado de câmbio, no entanto, a frustração com o leilão fez o dólar fechar em alta Se os investidores de câmbio ficaram frustrados com a demanda estrangeira nos megaleilões do pré-sal, o mesmo não se pode dizer daqueles que aplicam em ações, sobretudo na Petrobras. Em um dia de exterior positivo para ativos de risco, os agentes de mercado optaram por comprar mais papéis no Brasil e apostar na estatal de petróleo, que parece ter se beneficiado dos certames realizados ontem e hoje — um movimento que conduziu o Ibovespa ao inédito fechamento na faixa dos 109 mil pontos.

O Ibovespa renovou recorde ao encerrar em 109.581 pontos, em firme alta de 1,13%. Na máxima do dia, o índice também renovou recorde intradiário, ao atingir os 109.672 pontos. O giro financeiro foi bastante robusto no dia, somando R$ 15,3 bilhões, acima da média diária dos pregões de 2019, que é de cerca de R$ 12,5 bilhões.

Entre os destaques hoje, os bancos Bradesco (0,89% a ON e 0,26% a PN) e Itaú Unibanco (0,60%) terminaram com avanços, mesma direção da Vale (0,85%) e das siderúrgicas — Usiminas PNA (7,93%) foi, inclusive, um dos maiores ganhos do dia, em reação à revisão das projeções do setor de siderurgia e mineração pelo Credit Suisse, diante das perspectivas de aumento da demanda por aço.

Já em relação à Petrobras, uma combinação de fatores macroeconômicos e corporativos estimulou os investidores a comprarem ações. Houve avanço no fechamento de 3,21% a ON e 4,01% a PN, ambas com robusto giro financeiro (R$ 2,9 bilhões a PN e R$ 431,6 milhões a ON). Com cerca de 11% de peso dentro do Ibovespa, o movimento da estatal explica parte da alta do próprio índice.

De um lado, a Petrobras se beneficiou da procura dos estrangeiros por ações do Brasil, em linha com o exterior. O fluxo forte responde à busca internacional por maior rentabilidade, em um mundo onde se reduzem os receios com uma recessão global e onde predomina o juro baixo. Evento de grande potencial recessivo para a atividade do mundo, a guerra comercial entre EUA e China parece seguir, neste momento, rumo a um resolução, ainda que preliminar.

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O mercado repercutiu a notícia de que o Ministério do Comércio chinês e os EUA concordaram em remover em etapas as tarifas a importações praticadas mutuamente. Como resultado da continuidade das conversas amigáveis, até aqui, entre as duas economias, as bolsas americanas terminaram em alta, com recordes para S&P 500 e Dow Jones, assim como os ativos emergentes e brasileiros negociados em Wall Street.

Além disso, internamente, os investidores reagiram com otimismo ao resultado dos leilões do pré-sal realizados ontem e hoje. Em termos de arrecadação federal, gestores são claros em classificar que houve frustração, por causa da baixíssima adesão de petroleiras estrangeiras. Não por menos, o dólar comercial segue firma acima dos R$ 4 no dia, notam especialistas. No entanto, a avaliação é que a Petrobras saiu vitoriosa do certame, depois de arrematar as áreas mais produtivas.

Ontem, os investidores chegaram a pressionar os papéis, com o receio de que a companhia saísse do caminho do controle da alavancagem financeira — ela terá que usar caixa para arcar com os custos de produção e investimentos nas áreas arrematadas. No entanto, o presidente da companhia, Roberto Castello Branco, reforçou que isso não vai acontecer, porque o controle do endividamento é feito via venda de ativos e aumento de produção, onde os campos do pré-sal entram, inclusive, como parte da estratégia.

A companhia confirmou, inclusive, a continuidade do seu programa de desinvestimentos, com a venda da totalidade da sua participação na Liquigás, conforme antecipado pelo Valor. A oferta de R$ 3,7 bilhões pelo ativo foi feita pelo consórcio formado por Copagaz, Itaúsa e Nacional Gas Butano. A notícia, avaliam gestores, reforça o compromisso da Petrobras com a eficiência de gestão.

“Qualitativamente, o leilão de hoje foi pior do que o de ontem para o governo, e o de ontem já foi complexo e caro. Mas, para a Petrobras, ambos foram bons, ela vai investir em bons campos, que ele já conhece, e a preços razoáveis”, afirma um gestor de um grande fundo com posição nas ações da estatal, que prefere não ser identificado.

Na 6ª Rodada de partilha do pré-sal, realizada hoje pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o governo arrecadou R$ 5 bilhões, com a venda da área de Aram, na Bacia de Santos, para o consórcio formado pela Petrobras com a chinesa CNODC. Foram R$ 2,8 bilhões a menos do que esperado pela União, já que os demais blocos ofertados — Cruzeiro do Sul, Sudoeste de Sagitário, Bumerangue e Norte de Brava — não tiveram interessados.

Ontem, a União arrecadou R$ 69,96 bilhões com a oferta das áreas de Búzios e Itapu no leilão dos excedentes da cessão onerosa, também abaixo da expectativa, apesar de ser um montante relevante. O governo poderia ter levantado, se tivesse vendido todos os campos ofertados ontem, mais de R$ 100 bilhões.