Exterior e descumprimento de meta fiscal puxam juro

O apetite por risco no exterior somado às declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que a meta cheia de superávit primário não será cumprida neste ano, deu o mote para o movimento de alta das taxas futuras mais longas nesta terça-feira. Enquanto isso, os juros curtos e intermediários seguem perto da estabilidade, refletindo a estratégia monetária de manter a Selic no atual patamar por um período longo de tempo. A liquidez dos negócios, porém, continua pequena, com os investidores à espera de dados capazes de mudar a percepção sobre o plano de voo do Banco Central.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o contrato com vencimento em janeiro de 2013 projetava taxa de 7,12% (27.780 contratos), de 7,11% no ajuste de ontem. A taxa do contrato futuro de juros para janeiro de 2014 (79.345 contratos) marcava 7,33%, de 7,32% no ajuste. A taxa para janeiro de 2015, com 81.445 contratos, estava em 7,84%, de 7,80% na véspera. Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 (86.160 contratos) apontava 8,57%, de 8,52% ontem. A taxa do DI para janeiro de 2021 (3.155 contratos) indicava máxima de 9,21%, ante 9,14% no ajuste.

Na segunda-feira (05), Mantega confirmou com exclusividade à Agência Estado que a meta de superávit primário do setor público consolidado para 2012, de R$ 139,8 bilhões, não será cumprida sem os abatimentos legais. Nesta terça, o ministro voltou a falar sobre o assunto e afirmou que o governo não pretende fazer a dedução total de investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para cumprir a meta cheia. Segundo ele, a autorização é de dedução desta conta de até R$ 45 bilhões.

Enquanto isso, o governo segue trabalhando para dar sequência ao processo de redução de tributos para o setor produtivo brasileiro. Nesta quarta-feira, será apresentada aos governadores uma proposta para reduzir a alíquota interestadual do ICMS. O plano, que será discutido com Mantega, prevê a redução gradativa para uma alíquota de 4%, que seria cobrada nas transações interestaduais e no comércio eletrônico.

O comportamento altista das taxas longas também pode estar relacionado ao posicionamento antecipado dos investidores para o IPCA de outubro, a ser divulgado nesta quarta-feira. Em setembro, a taxa foi de 0,58%. Por outro lado, há outra variável nessa equação que tende a ajudar a autoridade monetária. Trata-se da atividade econômica, que segue fraca ao redor do globo e ainda mostra divergências no âmbito doméstico. Segundo o HSBC, o índice de atividade do setor de serviços ficou em 50,4 em outubro, abaixo do valor de 52,8 em setembro.

No exterior, os investidores deixaram os dados ruins sobre a economia europeia de lado e decidiram se arriscar um pouco mais, mesmo com a eleição norte-americana em curso e com resultado ainda indefinido. Na Europa, as encomendas à indústria da Alemanha recuaram 3,3% em setembro ante agosto - as expectativas eram de -0,50%. O índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro caiu para 45,7 em outubro, de 46,1 em setembro e acima da previsão de 45,8. No Reino Unido, a produção industrial cedeu 1,7% em setembro ante agosto - também acima das estimativas de queda de 0,4%.

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