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Ibovespa sobe e tem melhor desempenho entre emergentes

Juliana Machado

Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 2% O mercado de ações experimentou um ganho de fôlego bem no leilão de fechamento hoje, movimento que levou o Ibovespa a encerrar na máxima do dia e acumular uma alta firme na semana. Depois de duas perdas semanais seguidas, forçadas pelo ambiente internacional, a recuperação veio para os ativos da renda variável local, fruto de uma nova trégua na retórica comercial entre China e EUA e, principalmente, da confiança dos investidores em Brasil. Hoje, o Ibovespa terminou com alta de 1,11%, aos 108.692 pontos, pico da sessão. Foi um dos melhores desempenhos nominais na comparação com outras bolsas emergentes. O giro ganhou força no fechamento e atingiu os R$ 12,5 bilhões, na média diária dos pregões do ano. Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 2%. Entre os ganhos do dia, destaque para os bancos, Vale (3,33%) e Petrobras (0,44% a ON e a PN). Os impasses comerciais entre chineses e americanos ainda ditam a demanda por risco contra emergentes, como se viu no câmbio, já que o dólar não cedeu terreno durante a semana e terminou firmemente em R$ 4,19. No mais recente desdobramento, porém, o presidente da China, Xi Jinping, fez comentários conciliadores sobre o acordo comercial firmado em primeira etapa com Washington, o que ajudou no avanço de bolsas globais e garantiu fluxo também para o Brasil. Movimento do câmbio levanta dúvidas sobre efeito na inflação e intervenção do BC Somado a isso, um ambiente interno mais propenso à negociação de ativos brasileiros ainda pauta o interesse dos agentes de mercado, com os fundamentos melhores da economia por aqui — o juro baixo no destaque. “As notícias das últimas semanas parecem estar finalmente começando a refletir um ambiente de recuperação e reforçando o cenário mais otimista para o crescimento do Brasil em 2020”, afirmou o Credit Suisse, em relatório enviado a clientes. Para o banco, alguns choques importantes se dissolveram entre 2018 e 2019, como a greve caminhoneiros, a crise na Argentina, as menores exportações para China e para os EUA e o impacto da tragédia em Brumadinho (MG). A isso, prossegue o relatório do Credit, somam-se “fundamentos bem mais sólidos”, compatíveis com um crescimento bem mais forte para 2020 e com um risco bem mais baixo de decepção dos agentes, como aconteceu no passado. O banco estima uma expansão do PIB perto de 2% em 2020. “Olhando para os riscos, o que mais nos preocupa seria uma desaceleração mais pronunciada na economia global, o que poderia reduzir as exportações e aumentar a percepção de risco para os emergentes”, diz a análise. “De toda forma, continuamos com uma visão mais otimista para 2020 e temos uma boa convicção de que vamos fechar o ano mais próximos das projeções traçadas.” Segundo David Cohen, gestor da Paineiras Investimentos, o Brasil chegou a enfrentar momentos de maior tensão durante a semana, com os riscos envolvendo a guerra comercial e também com as crises enfrentadas por países vizinhos, que geram contágio via portfólio — os gestores internacionais “vendem Brasil” para ocasionalmente cobrir perdas em outras regiões ou para ficar menos expostos ao bloco de mercados latino-americanos como um todo. “Mas os dados locais continuam reforçando a confiança e a agenda de reformas por aqui já andou. A cena local permanece bastante positiva”, diz. Julio Bittencourt/Valor