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Simplicidade e elegância: os segredos do estilo Coco Chanel

Cristiane Capuchinho
·5 minuto de leitura

“As mulheres usam roupa demais e nunca estão suficientemente elegantes”, disse Gabrielle Chanel, criticando o exagero na moda, em sua primeira entrevista à televisão em 1959. Essa era Coco, a estilista francesa que marcou época com seu visual simples e elegante.

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A francesa revolucionou a moda com roupas que valorizam a silhueta feminina e facilitam o movimento. O importante para ela era que a mulher estivesse livre em suas roupas, não se sentisse fantasiada ou obrigada a mudar de hábitos por conta da moda.

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Cento e dez anos após a inauguração de sua primeira loja na rue Cambon, Paris recebe pela primeira vez uma retrospectiva sobre um de seus maiores nomes. A exposição aberta em outubro no Palais Galliera reúne 350 peças de diversas partes do mundo para apresentar seu legado atemporal.

Ao longo de seus 87 anos, Chanel definiu um estilo e criou códigos que se repetem até hoje em vitrines de shopping e desfiles de moda. Coco mesmo sabia, “não existe sucesso sem cópia e sem imitação”.

A silhueta

Produzindo durante o contexto de duas Guerras Mundiais, Chanel simplifica o vestuário feminino e usa tecidos comuns. Nada de corpetes ou panos que forçam um formato ao corpo, Chanel respeita a silhueta em seus cortes para garantir a liberdade de movimentos e colocar a beleza natural em evidência.

O paradigma é visto desde as peças do seu início de carreira, como este casaco marinière. Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, Coco inova ao fazer casacos com malha jersey e seda, tecidos até então usados sobretudo para roupas íntimas. A finalização do punho e da parte de baixo do casaco são uma mostra da mistura de sobriedade e perfeição que caracteriza suas obras.

Em branco e preto

Ao longo de sua carreira, Coco vai privilegiar o branco, o bege e o preto em suas coleções. Sem a distração das cores, os tecidos, o corte da roupa e a modelo são o centro das atenções.

O uso de detalhes em preto em um vestido branco ou de uma barra branca em uma peça preta vão ser uma de suas marcas. Nesta imagem, a gola branca ilumina o rosto da cantora Juliette Grecco. O corte do tailleur chama atenção para o formato do seu corpo.

Quando abandona suas cores de preferência, Chanel enriquece sua palheta com o vermelho escarlate e o azul noite. Os tons aparecem recorrentemente em peças monocromáticas, como estes vestidos de festa.

Vestidinho preto

A “petite robe noire”, ou o vestido curto preto, aparece em uma coleção de 1926 e torna-se uma marca da francesa. O “Ford” da Chanel, segundo a Vogue, será revisto a cada nova coleção da estilista em múltiplos tecidos e formatos.

O modelo ganha o mundo após ser usado por Audrey Hepburn, nos anos 1960, no filme “Bonequinha de Luxo”.

Tailleur Chanel

Talvez o clássico de maior renome, o tailleur de tweed com saia próxima ao corpo, blazer sem gola e bolsos é icônico.

O conjunto tem um casaco que mais parece um cardigan de tão leve e uma saia que não aperta a cintura, repousa sobre os quadris.

No modelo que vestiu a princesa Grace Kelly, de Mônaco, em 1969, a abertura é deslocada para o lado e os botões dourados dão lugar ao azul noite.

Toque final

A simplicidade das cores e cortes para Chanel não significa austeridade. Sobre peças monocromáticas ou bicolores, as joias dão o toque final no estilo.

Chanel não vai temer revolucionar o uso tradicional de uma joia, colocando um broche como cinto, em uma manga ou mesmo sobre um chapéu.

A bolsa 2.55

E, claro, não é possível falar de Chanel e não citar as bolsas. Mesmo sem saber, todas já cruzamos por um modelo (ou uma réplica) de sua bolsa 2.55, criada em 1955. Sua forma, o efeito acolchoado da costura sobre o couro e a alça em corrente são emblemáticos.

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Seguindo o lema de Chanel, o modelo não só é bonito como prático. O tamanho e o formato permite que ela seja usada à mão ou sobre o ombro. Os múltiplos bolsos internos preveem espaço mesmo para o batom (Chanel, quem sabe).

Um percurso pela exposição “Gabrielle Chanel Manifesto de Moda”, em cartaz até março de 2021, indica que Coco tinha razão: “a moda cai, mas o estilo fica”.

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