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Exportação de soja do Brasil deve cair em maio após recorde; AgRural vê China 'sumida'

Roberto Samora
·3 minuto de leitura
Trabalhadores sobre carga de soja em Santos

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - As exportações de soja do Brasil em maio deverão recuar após terem registrado um recorde histórico para todos os meses em abril, com o mercado um pouco mais abastecido depois de grandes embarques do maior produtor e exportador global, conforme analistas e dados da programação de navios nos portos.

Além disso, a China mais cautelosa em negócios --após os preços do produto na bolsa de Chicago atingirem os maiores níveis em cerca de oito anos-- e os prêmios negativos ante os contratos futuros nos portos brasileiros trazem a confirmação de que "o melhor já passou" para a exportação do Brasil este ano, disse o analista da AgRural Fernando Muraro.

"A China deu uma ausência no nosso mercado, após grandes compras. Eles (chineses) deram uma sumida no mercado brasileiro", afirmou Muraro, a Reuters, notando que a estratégia chinesa "foi perfeita", quando compraram antecipadamente grandes volumes, antes da "explosão" dos preços.

Após um abril "maravilhoso", com embarques históricos de 17,38 milhões de toneladas, Muraro avalia que um número "bom" para maio indique algo entre 14 milhões e 15 milhões de toneladas na exportação nacional.

Dados da agência marítima Cargonave apontam uma programação de navios para embarque de soja nos portos brasileiros menos intensa ante o visto para abril.

Segundo a Cargonave, havia cerca de 180 navios programados para embarcar soja em maio, número semelhante ao visto na programação para o mesmo mês do ano passado. Contudo, o "line-up" para abril indicava cerca de 250 embarcações no início do mês passado.

Considerando que cada navio carrega cerca de 60 mil toneladas, os embarques previstos para este mês, até o momento, atingiriam quase 11 milhões de toneladas.

Com exportações volumosas em maio --ainda que abaixo do recorde de abril--, a indicação é de concentração dos embarques brasileiros no primeiro semestre, afirmou o analista da AgRural, que projeta para o ano entre 83 milhões e 85 milhões de toneladas --total que poderia ser recorde, se atingir a faixa superior.

Entre janeiro e abril, as exportações de soja do Brasil avançaram 6,5% em volume, para quase 34 milhões de toneladas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

"Vamos ter ritmo forte no primeiro semestre, mas muitas dúvidas começam a pairar no ar para o segundo semestre, estamos vendo ausência da China, enquanto a safra americana está em jogo...", disse Muraro, lembrando que os chineses após comprarem muita soja estão esperando sinalizações do tamanho da produção dos Estados Unidos, que estão plantando atualmente a próxima colheita.

Outra sinalização de que o "melhor já passou" para a exportação de soja do Brasil, disse o analista, é que operadores de logística estão atrás de carga para junho.

"Está tudo contratado em maio, mas junho... quero ver de junho para frente..."

CLIMA DESFAVORÁVEL

Outro fator a ser considerado para as exportações brasileiras é o clima.

Embora o interior do Brasil esteja com tempo predominantemente seco, tem chovido no litoral, o que atrapalha os embarques, que não podem ser feitos com umidade.

Os portos de Santos e Paranaguá, os mais importantes do país para soja, deverão ter problemas nesta semana, disse o agrometeorologista da Rural Clima Marco Antônio dos Santos, nesta terça-feira.

"Todo o litoral brasileiro... toda a faixa litorânea terá muita chuva, inviabilizando os trabalhos de embarques", afirmou.