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Explosões em Titã, lua de Saturno, teriam formado intrigantes lagos de metano

Daniele Cavalcante

A sonda Cassini, da NASA, deu seu mergulho final em Saturno em 2017, mas os dados coletados por ela durante seus vários anos de atividade ainda rendem frutos. Um estudo divulgado na segunda-feira (9) traz algumas revelações sobre Titã, a maior lua do planeta, e a segunda maior do Sistema Solar. De acordo com os pesquisadores, os lagos de metano de Titã são, na verdade, fruto de crateras de explosão.

Este satélite natural de Saturno é o único lugar do nosso sistema estelar, além do nosso planeta, que possui líquido estável em sua superfície. Ali há imensos lagos de metano, que curiosamente têm um ciclo semelhante ao ciclo da água que vemos aqui na Terra. Ou seja, lá chove metano e etano — nós os conhecemos aqui como gases, mas em Titã eles se comportam como líquidos.

Esse ciclo do metano é importante para a formação dos grandes lagos, que surgem quando o líquido cai na superfície e penetra no solo, dissolvendo a base de gelo e compostos orgânicos sólidos, e escavando e criando reservatórios que, posteriormente, são preenchidos pelo metano líquido. Esse tipo de lago em Titã tem limites nítidos e uma formação muito parecida com a dos corpos de água aqui da Terra, num processo conhecidos como lagos cársticos.

Acontece que também existem lagos menores por lá, com uma característica que instiga os pesquisadores: eles têm anéis ao redor, semelhantes a muralhas, lembrando uma cratera. Já que o modelo de lagos cársticos não se aplica a estes corpos líquidos, os cientistas precisaram de uma outra explicação para a formação dos lagos menores.

Conceito de um artista que retrata um lago no polo norte de Titã. Aros elevados semelhantes a muralhas não podem ser explicados pela formação dos lagos cársticos.

Embora Titã seja um mundo frio, há ciclos climáticos que, em algumas épocas, o tornam ainda mais gelado. Quando isso acontece, a atmosfera por lá fica dominada não por metano, mas por nitrogênio. À medida em que o clima começa a aquecer, esse nitrogênio precipita, penetra pela crosta de Titã e fica armazenado logo abaixo da superfície. Só que esses reservatórios são basicamente bombas prontas para explodir assim que a temperatura se elevar o suficiente para vaporizar e expandir o nitrogênio preso.

Essas explosões logo abaixo da superfície formam crateras que, em seguida, são preenchidas com o metano líquido sempre abundante em Titã. A nova teoria explica por que alguns dos lagos menores próximos ao polo norte dessa lua parecem ter aros muito íngremes que se elevam acima no nível do mar de metano. O novo estudo foi publicado em 9 de setembro na Nature Geosciences.

"Esses lagos com bordas íngremes, muralhas e aros elevados seriam um sinal de períodos na história de Titã em que havia nitrogênio líquido na superfície e na crosta", comentou o cientista da Cassini e co-autor do estudo, Jonathan Lunine, da Universidade Cornell. Linda Spilker, também da equipe da Cassini, disse que "à medida que os cientistas continuarem a explorar o tesouro dos dados da Cassini, continuaremos montando mais e mais peças do quebra-cabeça. Nas próximas décadas, entenderemos o sistema de Saturno cada vez melhor."

Fonte: Canaltech

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