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Explosão mortal em mesquita rompe trégua no Afeganistão

·3 minuto de leitura

Uma explosão deixou nesta sexta-feira (14) pelo menos 12 mortos em uma mesquita nos arredores de Cabul, rompendo o cessar-fogo provisório do Eid al-Fitr, pouco depois da retirada americana da base aérea de Kandahar, uma das mais importantes do Afeganistão.

"O balanço de mortos subiu para 12, incluindo o imã da mesquita, e outros 15 feridos", disse o porta-voz da polícia da capital.

O atentado foi executado no segundo dia de uma trégua de três dias firmada entre o Talibã e as forças afegãs por ocasião do Eid al-Fitr, o feriado muçulmano que marca o fim do mês de jejum do Ramadã.

Horas depois, negociadores do governo e do Talibã anunciaram uma reunião no Catar nesta sexta-feira para discutir como acelerar as negociações de paz.

Os dois lados "insistiram em acelerar as negociações de paz", disse um tuíte da equipe do governo afegão. O Talibã, por sua vez, tuitou que "ambas as partes concordaram em continuar as negociações após" Eid al-Fitr.

A violência sacode o país há semanas desde que os Estados Unidos deveriam ter retirado, em 1º de maio, seus 2.500 soldados ainda presentes no país.

O governador da província de Uruzgan, Fazel Ahmad Shirzad, acusou os rebeldes de terem violado duas vezes o cessar-fogo atacando as forças de segurança.

- Segunda base americana no país -

Na semana passada, aviões americanos decolaram da base aérea de Kandahar para auxiliar as forças afegãs que tentavam repelir uma ofensiva do Talibã.

A embaixada americana confirmou que a base foi entregue às forças afegãs.

"Eles entregaram todas as instalações às forças afegãs", garantiu o diretor do aeroporto de Kandahar.

Esta base chegou a ser a segunda mais importante para as tropas americanas e internacionais presentes no país.

A província de Kandahar é um antigo reduto do Talibã no sul do Afeganistão e, nos últimos meses, foi palco de confrontos entre os insurgentes e as forças afegãs.

Washington e Otan se comprometeram a retirar todas as suas tropas ainda presentes no Afeganistão até 11 de setembro, data do 20º aniversário dos ataques de 2001 contra os EUA.

O Exército americano anunciou na terça-feira que avançou de 6% a 12% em sua retirada do Afeganistão.

Poucos são aqueles que pensam que as forças afegãs serão capazes de enfrentar o Talibã sem a proteção da força aérea e forças especiais americanas.

Nas últimas semanas, os combates se intensificaram em algumas províncias e, na terça-feira, o Talibã conquistou um distrito controlado pelo governo nos arredores de Cabul.

São cada vez mais numerosos os combatentes talibãs que circulam pelos grandes centros urbanos, sugerindo que apenas esperem a retirada dos americanos antes de lançar ofensivas em grande escala contra cidades em todo o país.

Em 8 de maio, mais de 50 pessoas foram mortas e quase 100 ficaram feridas em um bairro xiita no oeste da capital, em uma série de explosões em frente a uma escola feminina. Foi o ataque mais mortal em um ano.

As autoridades acusaram o Talibã, que negou ser o culpado.

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