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Experimento em avião militar quer usar luz solar para alimentar órbita da Terra

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

O avião militar X-37B, da Força Espacial dos Estados Unidos, está sendo usado para demonstrar e validar alguns experimentos que visam testar como a energia emitida pelo Sol pode ser convertida para ser usada para objetivos na órbita da Terra. Em março, o avião completou 300 dias em órbita e, embora grande parte dos objetivos da missão “Orbital Test Vehicle-6 (OTV-6)” sejam confidenciais, algumas informações sobre os experimentos realizados já foram divulgadas.

O veículo leva em seu interior o experimento Photovoltaic Radio-frequency Antenna Module Flight Experiment (PRAM-FX), realizado pelo Naval Research Laboratory (NRL). Trata-se de uma placa que mede 30,5 cm, capaz de coletar energia solar e convertê-la em energia de radiofrequência em micro-ondas. Paul Jaffe, um dos autores do estudo, explica que a ideia do experimento não é liberar a energia convertida, mas sim analisar como é a performance da conversão para a equipe verificar como o PRAM se sai em relação à eficiência e performance térmica.

Lançado no ano passado, o PRAM ocleta a energia solar e a converte em energia de radiofrequência em microondas (Imagem: Reprodução/U.S. Naval Research Laboratory)
Lançado no ano passado, o PRAM ocleta a energia solar e a converte em energia de radiofrequência em microondas (Imagem: Reprodução/U.S. Naval Research Laboratory)

O artigo, que descreve os resultados preliminares do experimento, pontua que os resultados podem ser comparados de forma favorável à performance registrada em testes em solo. Conforme o experimento for desenvolvido, será possível observar melhor como o dispositivo se sai sob as diferentes condições de iluminação e temperatura no espaço. Além deste, o Air Force Research Laboratory (AFRL) produziu o Space Solar Power Incremental Demonstrations and Research (SSPIDR), um projeto de demonstração que inclui os experimentos Arachne, SPINDLE e SPIRRAL.

Com lançamento estimado para 2024, o Arachne será a primeira demonstração de um painel modular de energia solar para radiofrequência, com superfície projetada para otimizar a formação do feixe energético. A tecnologia de conversão de energia foi criada para permitir o uso de grandes aberturas, além de permitir produção volumosa com baixo custo. Já o SPINDLE visa testar o lançamento de uma versão do sistema operacional em escala reduzida, e foi criado para testar as dinâmicas estruturas de lançamento.

Representação artística do experimento Arachne (Imagem: Reprodução/AFRL/Melissa Grim, Partise)
Representação artística do experimento Arachne (Imagem: Reprodução/AFRL/Melissa Grim, Partise)

Por fim, o SPIRRAL será usado para testar iniciativas de gerenciamento de temperatura, com o objetivo de garantir um sistema durável e de alta performance. Se tudo correr conforme o planejado, este experimento será lançado em 2023 como parte da Materials International Space Station Experiment (MISS-E), uma plataforma orbital que deverá ser lançada da ISS.

Para John Mankins, que trabalhou durante 25 anos na NASA e é um dos maiores entusiastas da transmissão de energia do espaço, a energia solar espacial tem grande potencial para transformar o futuro da humanidade, e pode até se tornar uma fonte de energia sustentável e ilimitada: "centenas de kilowatts de energia serão necessários para produzir e processar água congelada para produzir materiais úteis, como propelente", disse, em relação aos planos de exploração lunar. "A energia sem fio pode ser a resposta para fornecer a energia para isso", sugeriu.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE) Journal of Microwaves.

Fonte: Canaltech

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