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Expectativas de inflação para 2021 estão se distanciando da meta, diz Serra

Alex Ribeiro e Estevão Taiar

Em apresentação virtual, diretor de Política Monetária do Banco Central diz que riscos seguem presentes e destaca a falta de espaço fiscal O diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra Fernandes, disse nesta manhã em evento virtual que as expectativas de inflação para 2021 estão se distanciando da meta, segundo apresentação divulgada há pouco pela instituição de evento na Casa das Garças

“Inflação subjacente abaixo dos níveis compatíveis com o cumprimento da meta de inflação”, diz a apresentação. “Expectativas de inflação para 2021 se distanciando do centro da meta.”

Na apresentação ele pondera que a mediana Focus para a inflação variou menos do que os preços de mercado, que precificaram maior inflação e voltaram a convergir em direção ao Focus, mas ainda aquém das metas no horizonte relevante da política monetária.

Segundo ele, as inflações implícitas estão ancoradas inclusive para prazos mais longos.

O diretor considera ainda que “os riscos seguem presentes” e que o “espaço fiscal é limitado”.

Ele citou trecho de ata do Copom divulgada nesta manhã que diz que “os diversos programas de estímulo creditício e de recomposição de renda, implementados no combate à pandemia, podem fazer com que a redução da demanda agregada seja menor do que a estimada, adicionando uma assimetria no balanço de riscos”.

Exibiu ainda gráficos que mostram o papel dos programas de transferência de renda em sustentar a massa de rendimentos ampliada disponível e também o crescimento da despesa pública em termos anuais.

Na avaliação de Serra, as revisões das expectativas para a atividade econômica já parecem incorporar o choque da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

“Incerteza sobre o ritmo de recuperação segue muito elevada”, pondera ele, segundo apresentação.

Bruno Serra Fernandes, diretor de Política Monetária do Banco Central, vê riscos ainda presentes

Carol Carquejeiro/Valor

Ele apresentou dados que apontam recuperação dos gastos no débito a partir de maio. Também exibiu dados de carga de energia que, segundo ele, mostram “recuperação em andamento”.

Câmbio

Na apresentação, o diretor avalia que as reservas internacionais e a posição cambial líquida em relação ao PIB próximas ao máximo histórico dão conforto para seguir atuando, se necessário, no mercado de câmbio. Para ele, o “câmbio passa a funcionar como canal mais relevante de transmissão da política monetária.”

Ele disse que o fluxo cambial ficou “negativo como consequência da redução dos ganhos de arbitragem e menor demanda por financiamento no mercado internacional”.

Segundo a apresentação, mais recentemente a depreciação cambial foi motivada pela piora de percepção de risco como consequência da pandemia e do nosso limitado espaço fiscal.

Serra nota, na apresentação, que a saída de capitais é concentrada em títulos públicos e ações. Ele fez ainda um histórico da evolução das intervenções do BC antes e depois da crise. Antes, diz a apresentação, o foco era atender a demanda por liquidez em dólares, com troca de swaps cambiais por spot e intervenções pontuais no spot. Na pandemia, foi feita a utilização de todos os instrumentos para manutenção do regular funcionamento do mercado de câmbio. Para Serra, a atuação reduziu a volatilidade do cupom cambial.

O diretor do BC disse que o déficit em transações correntes, que ele afirma que passou por melhora importante nos últimos meses, segue financiado pela parcela mais estável da conta de capitais.

Liquidez sem precedentes

Na avaliação de Serra, os índices de ações de países emergentes estão seguindo a direção das bolsas dos Estados Unidos.

“EUA tiveram aumento sem precedentes de liquidez”, disse ele, segundo a apresentação. “Preços de ativos de emergentes tiveram alívio importante desde março”.

Serra notou que os EUA tiveram recuperação a partir de maio e que esse país caminha para emissão recorde no mercado de crédito em 2020. “Apenas a evolução da medicina poderá dissipar incerteza elevada”, afirmou.