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Expectativa por juro e planos de Guedes garantem alta do Ibovespa

Marcelle Gutierrez

A expectativa de um novo corte na taxa básica de juros (Selic) na decisão de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom) e uma declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre retomada da agenda de reformas garantiram o Ibovespa no positivo. O vencimento do exercício de opções sobre o Ibovespa também influenciou no desempenho.

Após ajustes, o Ibovespa fechou em alta de 2,16%, aos 95.547 pontos. Na máxima do dia, o índice alcançou 96.611 pontos — avanço de 3,29%.

No período da tarde, a aceleração do índice aconteceu logo após a declaração do ministro Paulo Guedes, que disse que o governo concluiu a elaboração de medidas emergenciais e agora voltará suas atenções para a agenda de reformas. “Estamos voltando para as reformas. Nos próximos 60 e 90 dias, iremos acelerar”, falou, em palestra por videoconferência no Acton Institute.

A retomada de reformas estruturais, principalmente a tributária, é apontada pelo mercado como um dos catalisadores para o Ibovespa superar os 100 mil pontos. Em 2019, a reforma da previdência teve esse efeito. Logo, uma sinalização da retomada da agenda, adiada por conta da pandemia, anima os investidores.

Outra declaração de Guedes que mexeu com os mercados hoje foi referente à Eletrobras. Segundo notícia do jornal O Globo, o ministro decidiu que fará quatro grandes privatizações este ano, incluindo Eletrobras. A decisão foi tomada na última reunião do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), na semana passada.

Com a notícia, as ações ordinárias da Eletrobras fecharam em alta de 9,99%, a maior valorização do Ibovespa, enquanto a PNB subiu 6,67%.

Também no início da tarde, o vencimento de opções sobre o Ibovespa contribuiu positivamente, com um grande investidor gerando pressão compradora no índice para ajuste de posição, segundo operadores.

As negociações no Ibovespa também giraram em torno da expectativa da divulgação da decisão do Copom, que saiu hoje, a partir das 18h.

Segundo pesquisa conduzida pelo Valor na semana passada, com 83 instituições financeiras e consultorias, 77 esperam redução da Selic em 0,75 ponto, para 2,25% ao ano.

Um novo corte na Selic é importante para estimular a economia e favorece o mercado de renda variável, principalmente a bolsa, já que a renda fixa fica menos atrativa e não resta outra opção ao investidor a não ser tomar mais risco.

O volume financeiro negociado no Ibovespa totalizou R$ 24,4 bilhões nesta sessão, um pouco abaixo da média diária de junho, de R$ 25,1 bilhões.