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Expectativa por megaleilão de petróleo no Brasil

Por Louis GENOT
Petroleiros na plataforma da Petrobaras P-51, em Angra dos Reis, em 21 de agosto de 2008

O Brasil realizará nesta quarta-feira um megaleilão do excedente da cessão onerosa, com o qual o país espera obter o valor recorde de 106 bilhões de reais e dar um salto no projeto de se tornar, em 10 anos, o quinto maior produtor mundial de petróleo.

O potencial das reservas do pré-sal é gigantesco: de acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP) podem conter até 15 bilhões de barris, o dobro das atuais reservas da Noruega.

"Nas áreas que estão sendo colocadas à venda, o volume é muito grande e os bônus de assinatura podem chegar a um recorde no mundo", afirmou à AFP Fernanda Delgado, especialista de questões energéticas da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

"Nunca houve um volume tão grande de dinheiro envolvido", completa.

As regras do leilão para o pré-sal são particulares.

Caso as quatro áreas leiloadas na quarta-feira sejam arrematadas, a operação totalizará 106 bilhões de reais. O valor já é conhecido, uma vez que o preço é fixo e a oferta é feita sobre o percentual de óleo-lucro que as empresas se comprometem a reverter ao Estado brasileiro.

A Petrobras identificou o potencial das áreas e obteve em 2010 o direito de explorá-las, sem licitação. Mas as reservas se revelaram muito superiores às inicialmente estimadas e a empresa estatal teve que aceitar o leilão do excedente da cessão onerosa, em troca de uma compensação prévia de seu investimento em instalações.

A Petrobras pretende usar o valor para participar no leilão da cessão onerosa e vai usar seu direito de preferência em duas áreas - nos campos de Búzios e Itapu.

O governo do presidente Jair Bolsonaro iniciou um vasto plano de cessões e privatizações, com o objetivo de dinamizar a economia e reduzir a dívida pública.

O leilão terminará na quinta-feira com outras licitações de áreas ainda não exploradas, pelas quais a ANP espera arrecadar 7,8 bilhões de reais (1,94 bilhão de dólares).

Em um leilão de blocos off-shore fora da área do pré-sal, o país arrecadou em 10 de outubro 8,91 bilhões de reais, uma demonstração do interesse das grandes empresas no potencial do Brasil.

O pré-sal já representa 64% da produção de petróleo do Brasil.

A certeza de que o leilão tem poucos riscos - por envolver áreas que já são exploradas pela Petrobras - é sem dúvida um atrativo para os investidores.

"O risco exploratório é muito baixo. Não existe risco exploratório zero, mas é muito baixo, por isso vale dinheiro", destaca Delgado.

Os especialistas consideram que as áreas oferecidas despertarão grande interesse por sua produtividade, estimadas em 60.000 barris diários de acordo com as previsões mais otimistas (as bacias off-shore do Golfo do México produzem de 12.000 a 13.000 bd em média).

Mas o modelo escolhido não agrada todos os potenciais interessados. O grupo britânico BP e a francesa Total desistiram de participar do megaleilão.