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Expectativa de inflação pode subir se carne continuar cara, diz FGV

Alessandra Saraiva

Economista da FGV observa que o consumidor não alterou projeções futuras de preços devido à carne mais cara porque entende que o fenômeno é passageiro Mesmo com o aumento de preço da carne bovina, a expectativa inflacionária do consumidor manteve-se estável em dezembro — mas o cenário de estabilidade nas projeções de preço do brasileiro pode não permanecer por muito tempo. O alerta é da economista Renata de Mello Franco, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Ela fez a observação ao comentar a evolução do indicador de expectativa de inflação dos consumidores brasileiros para os próximos 12 meses, que se manteve em 4,8% em dezembro.

A economista observa que, no último mês de 2019, o consumidor não alterou projeções futuras de preços devido à carne mais cara, pois entende que o fenômeno é passageiro. No entanto, caso a carne continue a subir, esse cenário pode mudar e o consumidor voltar a elevar expectativas inflacionárias para os próximos meses, avisou.

Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) de dezembro, prévia do indicador oficial de inflação do governo. O IPCA-15 subiu 1,05% e a carne, que ficou 17,71% mais cara, respondeu por 0,48 ponto percentual do indicador.

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A técnica da FGV comentou que as carnes têm aumentado muito de preço devido à demanda internacional maior pelo produto — em particular, da China. Assim, os produtores têm preferido deslocar a oferta do produto para as exportações, aproveitando o dólar mais alto para aumentar a rentabilidade da operação.

A especialista comentou que o consumidor entende que os núcleos inflacionários estão bem controlados — sendo que o tópico é alvo de grande número de matérias no noticiário econômico. “Hoje, o consumidor consegue enxergar que o aumento é pontual e específico, e que não tende a se espalhar”, afirmou. No entanto, é possível que a carne continue subindo por algum tempo e isso pode levar a um aumento das expectativas inflacionárias do consumidor, admitiu.

“Nosso cenário de preços é compatível com expectativa de inflação na faixa dos 4%, próximo à meta inflacionária”, de 4,25% para 2019, afirmou. “Mas temos que observar para saber até quando o preço da carne vai subir, e de que forma isso vai afetar o sentimento do consumidor”, completou Renata.