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Expectativa de inflação permanece em 4,7% ao ano entre consumidores em outubro, diz FGV

Alessandra Saraiva
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Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve redução de 0,2 ponto percentual Tânia Rêgo/Agência Brasil Mesmo com expectativa de alta de inflação no mercado financeiro, as estimativas dos brasileiros para evolução de preços no varejo se mantiveram estáveis em outubro, segundo leitura da Fundação Getulio Vargas (FGV). Hoje, a FGV anunciou a projeção de expectativa mediana de inflação dos consumidores para os próximos 12 meses, que permaneceu em 4,7% no mês, mesma taxa observada em setembro. Em relação outubro do ano anterior, houve redução de 0,2 ponto percentual (p.p.). Em outubro, 48,5% dos consumidores projetaram valores abaixo da meta de inflação para 2020 (4,0%), 5,9% abaixo do que no mês anterior, ficando abaixo dos 50% pela primeira vez desde abril desse ano. Por outro lado, a proporção de consumidores projetando acima do limite superior da meta de inflação para 2020 (5,5%) cresceu 0,8 ponto percentual, de 30,8% para 31,6%. As expectativas medianas para a inflação nos próximos 12 meses subiram nas faixas de renda com maior poder aquisitivo. As faixas de renda com menor poder aquisitivo, cujas expectativas já tinham aumentado nos meses anteriores, se acomodaram em outubro. Porém, Renata de Mello Fraco, economista da fundação, não descartou nova rodada de alta nas estimativas nesse indicador da fundação. Isso porque a atual volatilidade do dólar, ao afetar preços de commodities e de importados no atacado, pode impactar com mais força, em algum momento, os preços no varejo - e voltar a impulsionar as projeções do consumidor. Ao falar sobre o desempenho do índice de outubro da FGV, a especialista admitiu que, assim como observado no mês passado, a inflação entre os consumidores foi mais sentida entre os de menor renda. É o caso das famílias com ganhos até R$ 2.100, uma das quatro faixas de renda pesquisadas pela FGV no levantamento, e cuja projeção inflacionária em 12 meses manteve-se em 5,5% entre setembro e outubro, ou seja, acima da média. "Sabemos que a cesta de orçamento entre os mais pobres é diferente", comentou a economista, lembrando que, no orçamento dos de menor poder aquisitivo, a parcela destinada a comprar alimentos é maior. Isso faz com que, em um momento de alta de preços de comida como o atual, as famílias mais pobres sintam mais os impactos de inflação. Entretanto, a especialista frisou que, mesmo com cenário de alimentos mais caros, bem como a recente influência do dólar em itens importados e commodities, que possuem cadeia de derivados no varejo, a projeção do consumidor manteve-se estável esse mês. Isso, no entendimento dela, sinaliza que "não há sinais de inflação explosiva", notou ela. "É um resultado positivo." No entanto, a volatilidade atual do câmbio faz com que não seja certa a manutenção de estabilidade nas projeções inflacionárias do consumidor, reconheceu. "Temos hoje um movimento gradual de recuperação da economia", notou ela, comentando que, com demanda interna melhor, isso na prática eleva preços. "Tivemos um movimento de reajustes de preços represados durante a pandemia" lembrou ela, comentando que, no auge da crise, com o tombo imediato em emprego e em renda causado por avanço da covid-19 a partir de março, se evitou elevar preços. "E assim já existe hoje um descolamento de preços entre atacado e varejo", completou, notando que, em algum momento, será repassada parte desses aumentos de custos aos produtos junto ao consumidor, no varejo. "Não acharia surpreendente se a expectativa inflacionária dos consumidores voltasse a subir", afirmou. A expectativa para a inflação nos próximos 12 meses faz parte da Sondagem do Consumidor da FGV, realizada mensalmente com mais de 2.100 entrevistados em sete capitais do país (Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília e Recife), em geral, nas três primeiras semanas de cada mês. Aproximadamente 1.600 entrevistados respondem a respeito da expectativa para os preços todos os meses, segundo a instituição. O levantamento de outubro foi realizado entre os dias 1º e 20.