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Expectativa de acordo EUA-China reduz demanda por Treasuries e bônus europeus

Roberta Costa

Comentário do conselheiro econômico da Casa Branca sobre possível desfecho para o imbróglio comercial elevou a demanda por ativos de risco O clima positivo nos mercados globais na manhã desta sexta-feira – após o conselheiro econômico da Casa Branca, Lawrence Kudlow, ter dito que Estados Unidos e China estão se aproximando de um desfecho para o imbróglio comercial que se arrasta há meses – eleva a demanda por ativos de risco, como ações, e faz com que os investidores saiam de posições em renda fixa, com a venda de Treasuries e bônus europeus.

As duas maiores economias do mundo "estão perto de um acordo", disse Kudlow em um evento no Conselho de Relações Internacionais, na quinta-feira. "A música de fundo é bastante boa", afirmou, acrescentando que o presidente Donald Trump "gosta do que está vendo, [mas] não está preparado para um compromisso". Ele "não assinou um compromisso para a 'fase 1', não temos ainda um acordo para a 'fase 1'", afirmou o conselheiro.

Michael Nagle/Bloomberg

Os investidores estão mais tranquilos graças a uma recuperação nos rendimentos dos bônus soberanos, particularmente nos EUA, e pela crescente diferença positiva entre rendimentos de dez e de dois anos, o que mostra um afastamento dos sinais recessivos vistos na primeira parte deste ano. O rendimento da T-note de dez anos opera em alta a 1,846%, enquanto o retorno da nota de dois anos sobe para 1,618% – formando uma diferença positiva de 22,4 pontos.

Em 14 de agosto, a curva de juros americana se inverteu pela primeira vez desde 2005 nos vencimentos de dois e dez anos. Ou seja, o vencimento curto pagou uma taxa maior do que o longo – um sinal de que o mercado estava precificando que a inflação de longo prazo seria menor do que a atual e que a expectativa dos agentes naquele momento era de baixo crescimento ou mesmo recessão, a julgar pela maioria dos episódios de inversão da curva no passado.

O yield do Bund alemão de dez anos, referência na Europa avança para -0,340%, de -0,346% na quinta-feira. Nesta sexta, o Eurostat divulgou o CPI da zona do euro em outubro, que ficou novamente abaixo do esperado, com variação de apenas 0,7% no ano no índice cheio e alta de 1,1% do núcleo. A meta do Banco Central Europeu (BCE) é de uma variação de pouco abaixo de 2,0%.

O Société Générale prevê que o yield do Bund seja negociado entre -0,60% e +0,10% durante a maior parte do ano de 2020, dizem os estrategistas de taxas do banco. Na mínima histórica, o yield foi negociado a -0,703% no começo de agosto.

Os executivos do Société acrescentam que mais um corte das taxas de juros de 10 pontos base pelo BCE, que é o cenário base do banco, além de expectativas de inflação inalteradas, são consistentes com o yield a -0,30% com um intervalo de +/-30 pontos base. No entanto, o Société vê mais probabilidade no yield operando mais tempo por volta dos -0,50%, que é perto do nível inferior do seu intervalo de previsões para o próximo ano.