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Expansão da indústria do Brasil tem mínima em 9 meses em março após baque por pandemia, mostra PMI

Camila Moreira
·2 minuto de leitura
Carros recém-fabricados são colocados em caminhão de transporte em fábrica de São Bernardo do Campo, SP

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - A recuperação do setor industrial do Brasil sofreu um baque em março, com o recrudescimento da pandemia de coronavírus e a adoção de novas restrições no país levando empresas a reduzir produção e empregos e a reavaliar perspectivas, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

A IHS Markit informou nesta quinta-feira que seu PMI para a indústria do Brasil caiu a 52,8 em março, de 58,4 em fevereiro. Embora tenha permanecido acima da marca de 50, que separa crescimento de contração, o índice chegou a uma mínima em nove meses.

"O setor industrial do Brasil passou por um revés em março, com as novas encomendas e a produção de novo em contração devido a um aumento nos casos de Covid-19 e à adoção de novos controles", explicou a diretora associada de Economia da IHS Markit, Pollyanna De Lima.

Com o agravamento da situação sanitária no Brasil, as encomendas à indústria caíram em março pela primeira vez em dez meses, ao mesmo tempo que os novos pedidos para exportação estagnaram.

Segundo a IHS Markit, as vendas tiveram contração nos setores de bens de consumo e intermediário, mas o crescimento se sustentou no de bens de capital.

Assim, a produção caiu em março, encerrando nove meses de expansão. O movimento foi atribuído pelos entrevistados à crise de Covid-19, controles mais rigorosos, queda das vendas e escassez de matéria-prima.

Buscando reduzir os gastos, as empresas demitiram funcionários e, com isso, o setor viu chegar ao fim uma sequência de oito meses de criação de vagas de trabalho.

Março também marcou forte alta dos preços de insumos, com quase 84% dos entrevistados citando problemas na cadeia de oferta, taxas mais altas de frete, escassez de matéria-prima e depreciação do real. Consequentemente, os preços cobrados tiveram a maior alta em quatro meses.

As empresas permaneceram confiantes de que a produção vai aumentar ao longo dos próximos 12 meses, mas a elevada preocupação com o aumento de casos de Covid-19 prejudicou o sentimento, com o grau geral de otimismo caindo a uma mínima em dez meses.