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Existe um futuro preto e ele não se constrói sozinho

·3 min de leitura

Quando eu comecei, há 20 anos, na pura sevirologia, dentre os milhares de desafios que encontrei no meio do caminho, um deles, um tanto quanto significativo para que as coisas pudessem sair do papel, foi a dificuldade em encontrar patrocinadores. Alguém que botasse fé em meu trabalho e que desse visibilidade para a criatividade e inventividade de um povo que o Brasil insiste em subjugar, desde que me entendo por gente e antes também. Foram inúmeras lutas travadas, dia a dia, para que a Feira Preta ganhasse materialidade e se tornasse o que ela é hoje, uma facilitadora, uma porta aberta para inúmeras potencialidades, o maior evento da cultura negra da América Latina.

Um trabalho que antes, por muitas vezes, se fazia de forma solitária, hoje é produzido por muitas mãos. Centenas de pares que acreditam na construção de conteúdos que ajudam a traçar uma narrativa preta, potente pautada no passado, presente e futuro, e é isso é para além do suporte financeiro, diversidade e inclusão também estão nessa conta e precisam estar além de apenas números. O ‘hoje’ é o melhor momento não só para falar de diversidade e inclusão, mas também para se colocar em prática.

Partindo da lógica da descentralização do poder e do capital, a Feira enquanto ecossistema só funciona de forma conectada. O que eu quero dizer com isso é que precisamos de uma rede de empreendimento, com o olhar sistêmico de transformação. Lembra que eu disse que a falta de patrocínio era um martírio? Pois bem, antes, eu aceitaria qualquer quantia que os apoiadores decidissem dar. Hoje, isso mudou, são as empresas que nos procuram. Tivemos apoio de muitas marcas nesta edição. Mas, é preciso que haja um comprometimento com uma mobilização estrutural e recorrente. É preciso que olhem a base e entendam as especificidades.

Gosto de falar do poder da continuidade, caminhar com e pelas minhas ancestrais com o olhar no futuro.

O nosso objetivo é influenciar o cenário do empreendedorismo e dos respectivos negócios de forma completa e é necessário que haja contribuição, até para que o avanço das pautas antirracistas ganhe urgência. Gosto de falar do poder da continuidade, caminhar com e pelas minhas ancestrais com o olhar no futuro. No entanto, essa continuidade precisa de manutenção, e se aliar às pessoas e instituições que acreditam na transformação, é traçar estratégias para que oportunidades prósperas sejam criadas não apenas para uma parcela da população, ou para um só de nós. A Feira Preta tem o papel de fazer mudanças estruturais, então, que o avanço seja de forma conjunta e não isolada.

Com isso, gostaria de celebrar a sua eficácia. O Festival Feira Preta 2021, realizado com o Facebook foi, literalmente, o maior da história. E o melhor de tudo é que foi muito além do que previ, ultrapassou minhas expectativas e alcançou tanta, mas tanta gente. Nesta edição, realizada de forma virtual, foram mais de 36 milhões de contas alcançadas e 65 milhões de visualizações. E lembrar que na primeira edição fiquei ansiosa esperando as pessoas chegarem na Praça Benedito Calixto e senti um frio na barriga ao ver aquela multidão, mais de 7 mil pretos e pretas reunidos em prol da valorização da nossa cultura e dos nossos negócios. Hoje, o público se multiplicou cinco mil vezes. Mais de 700 estádios do Corinthians lotados.

O Brasil tem hoje mais de 4,6 milhões de empreendedoras negras, das mais diversas áreas de atuação, responsáveis por movimentar R$ 73 bilhões ao ano, de acordo com estudo divulgado pelos Institutos Locomotiva e Feira Preta. E, com isso, entendo, que nunca sonhei sozinha. Conseguimos. O tema, ‘Existe um futuro preto e ele não se constrói sozinho’, fez jus a tudo que acreditamos e construímos nesses 20 anos. Plantei a semente e estou colhendo os frutos do jeito que sempre achei ser possível, de pé, em festa e com muita gente do meu lado.

Este texto é de responsabilidade de seu autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Fast Company Brasil

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