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Exército investiga uso de farda por vice de Crivella em 'santinho'

Redação Notícias
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Exército abriu apuração interna para avaliar o uso de símbolos militares na campanha da reeleição de Crivella no Rio. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Exército abriu apuração interna para avaliar o uso de símbolos militares na campanha da reeleição de Crivella no Rio. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O Exército instaurou um processo administrativo para apurar a conduta da tenente-coronel Andréa Firmo (Republicanos), candidata a vice-prefeita do Rio de Janeiro na chapa do atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos).

O motivo é uso da farda do Exército no “santinho” virtual da campanha da chapa. Nele, Andréa Firmo aparece numa montagem entre Crivella e o presidente Jair Bolsonaro, apoiador do prefeito, usando o uniforme com o qual tornou-se a primeira mulher a comandar uma base de missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas).

O Estatuto dos Militares proíbe que integrantes das Forças Armadas usem “uniformes em manifestação de caráter político-partidária”. O uso de símbolos militares na campanha causou mal-estar na ONU e no Comando do Exército.

Procurada, Andréa Firmo informou que “desconhece qualquer processo administrativo investigativo do Exército e não recebeu nenhuma notificação do órgão” e que segue “todos os princípios da isonomia política”, disse ao G1.

Antes mesmo da divulgação oficial nas redes sociais, a imagem de Andréa Firmo com a boina azul da missão da ONU já circulava entre diplomatas do Departamento de Operações de Paz das Nações Unidas e oficiais do Exército.

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A fotografia usada na montagem foi feita quando ela ocupava a função de comandante da base. Nela, a candidata a vice está com uniforme camuflado e boina e lenços azuis, símbolos universais da ONU.

"Eu apenas segui a orientação da própria ONU, que na resolução 1325 incentiva o empoderamento feminino e a presença das mulheres na política. Quisemos veicular uma alusão à minha experiência com ações humanitárias, agora em prol das mulheres sofridas do Rio", disse ela, por telefone, à Folha de S. Paulo.

No Comando do Exército, houve desconforto entre generais. Segundo a Força, "de acordo com o Estatuto dos Militares, é proibido ao militar o uso dos uniformes em manifestação de caráter político-partidária".

"O caso em tela está sendo tratado, inicialmente, na esfera administrativa", disse o Centro de Comunicação Social do Exército, em nota. Pelo estatuto, ela pode sofrer repreensões ou perder benesses salariais.

De abril de 2018 a abril de 2019, Andréa Firmo chefiou uma base em Tifariti, no Saara Ocidental. Desde 1991, a ONU mantém uma missão de paz no antigo território espanhol que foi invadido pelo Marrocos em 1975, gerando uma guerra com a população local congelada após 19 mil mortos.

Firmo ainda é uma oficial da ativa. Para ser candidata, ela está em licença e agregada ao Departamento-Geral do Pessoal, sem função militar. A lei exige isso para quem tem mais de dez anos na caserna, caso dela, que passou 24 de seus 51 anos na Força. Para quem tem menos, é obrigatório ir à reserva.

MP RECOMENDA IMPUGNAR CHAPA DE CRIVELLA

O Ministério Público Eleitoral recomendou ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio que a candidatura à reeleição do prefeito Marcelo Crivella seja impugnada.

O pedido baseia-se na decisão tomada pelo TRE na quinta passada (24), que tornou Crivella inelegível até 2026. No entanto, a candidatura só pode ser indeferida se ele for considerado culpado depois de todo o trâmite legal, que inclui a apresentação de defesa do prefeito e possível pedido de recurso.

Crivella é acusado de ter usado carros oficiais em evento para apoiar a candidatura do filho a deputado em 2018. Sua assessoria afirma que ele disputará amparado em liminares, se preciso.