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Exército de hackers da Coreia do Norte rouba até US$ 1 bilhão por ano

KRT/AP

Os exercícios com mísseis e armas nucleares de Kim Jong-un podem despertar o medo em muita gente, mas a Coreia do Norte tem atacado em outras frentes e trazido grandes prejuízos aos seus adversários. Um dos principais exemplos é a onda de invasões a sistemas públicos e privados com origem no país, como o recente ataque ao Federal Reserve Bank de Nova York, que conseguiu roubar mais de US$ 80 milhões da instituição financeira. E o rombo teria chegado a US$ 1 bilhão se eles não tivessem cometido um pequeno erro de ortografia: escreveram “fandation” em ver de “foundation”, alertando, sem querer, o setor de segurança.

Exército de hackers

Atualmente, especula-se que a Coreia do Norte possua um exército com mais de 6 mil hackers, além de ferramentas para invadir os sistemas e muita disposição. Estados Unidos e o Reino Unido afirmam que nos últimos meses sofreram uma série de tentativas de invasão vindas do país, muitas delas bem sucedidas. As principais motivações para os ataques são obter informações privilegiadas, seja de órgãos governamentais ou empresas privadas, além de dar golpes pela internet.

Especialistas acreditam que o país consiga obter centenas de milhões de dólares por ano com ataques do tipo ransomware, conhecido por sequestrar um dispositivo e pedir um valor em troca, como um resgate, para devolver o acesso. Estão na mira dos invasores também os bancos digitais e as redes online de videogames. Mais recentemente, um ataque a uma bolsa da Coreia do Sul que negociava bitcoins levou milhões de dólares. Fazendo as contas, um ex-chefe de inteligência do Reino Unido estima que esses crimes rendam, por ano, US$ 1 bilhão.

Guerra digital

Os principais alvos da Coreia do Norte são os Estados Unidos e a Coreia do Sul. Os dois países, aliás, também planejam e executam invasões aos sistemas norte-coreanos. Dados divulgados por Edward Snowden, por exemplo, indicam que uma espécie de “grampo” foi inserido no Departamento Geral de Reconhecimento, uma espécie de CIA do país.

Pouco depois o contra-ataque veio com malwares que paralisavam o funcionamento de órgãos “vitais” como sistemas de distribuição de água, hospitais e bancos. De acordo com a empresa de segurança Symantec, em 2015 o país começou a realizar ataques com fins que não fossem a espionagem ou a guerra. O objetivo, segundo eles, era financiar as operações do país.

Sem solução

As sanções aplicadas ao país parecem não surtir efeito quando se trata de ciberataques. “Já estamos sancionando tudo o que podemos”, disse Robert Silvers, ex-secretário-assistente para política cibernética no Departamento de Segurança Interna durante o governo Obama. “Eles já são o país mais isolado do mundo”, explica Robert Silvers, ex-secretário-assistente para a política cibernética do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.