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Exemplo no início da pandemia, Chile bate recorde de mortes e vê desigualdade social afetar planos

Na sexta-feira, Chile teve recorde de mortes por Covid-19: 92 pessoas (Foto: Javier Torres/AFP via Getty Images)

Nesta sexta-feira, o Chile registrou o maior número de mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas. Foram 92 vítimas do coronavírus, totalizando 1.448 mortes. O número de casos chegou a 122.499. Entre quinta e sexta-feira foram 4,2 mil novos casos.

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Os números do país sul-americano estavam controlados em março e abril, mas, em maio, começaram a subir significativamente. Por que isso aconteceu?

Jaime Labarca, infectologista e chefe do departamento de doenças infecciosas da Universidad Catolica do Chile, o início da pandemia aconteceu quando as férias de verão estavam acabando no país, na última semana de fevereiro. “É um cenário que pode ser diferente para outros países. É uma semana de retorno de muitos viajantes e, nesse contexto, foram muitos viajantes com coronavírus”, explica.

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Nos meses de março e abril o país se esforçou para controlar a entrada da doença no país e conseguiu manter o número de novos casos e mortes estáveis. Eram cerca de 10 vítimas da doença a cada dia, não mais que isso. “Nos fez pensar que o problema poderia estar relativamente fácil de lidar do que está sendo”, diz.

Santiago, capital do país, é o epicentro da doença no Chile. Em outras regiões, a situação está relativamente controlada, mas a situação da capital é crítica.

A pandemia, assim como no Brasil, chegou primeiro às classes mais privilegiadas. Mas, quando alcançou os bairros pobres de Santiago, tudo mudou. “Tudo ficou mais difícil. Isso aconteceu em maio”, relata Labarca.

De acordo com o ministério da Saúde, o Chile já fez mais de 668 mil testes, sendo 21,7 mil nas últimas 24 horas. Labarca reforça que testar muito ajuda a entender melhor a real situação do país e saber onde está o problema. “As pessoas faziam o teste, mas faltou educação e orientação, as pessoas não sabem o que fazer, faltou infraestrutura”, explica.

Sem a orientação adequada e, especialmente, em zonas de extrema pobreza, é comum que uma pessoa com Covid-19 vire, rapidamente, uma família com Covid-19. “O mais importante para mim é o contato entre as famílias. Você tem um caso e isso se multiplica por quatro, por cinco”, avalia o médico.

LOCKDOWN

A região metropolitana de Santiago já está em lockdown há três semanas, com a quarta confirmada por vir.

No início da pandemia, o Chile adotou uma quarentena dinâmica, em que diferentes regiões entravam e saíam do lockdown conforme os números da região. Isso não impediu, no entanto, que os casos de espalhassem pela capital.

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Apesar do período de restrição de circulação, os números ainda não mostraram queda consistente. “Falta educação na população. As pessoas pedem permissão para ir ao médico e não vão. Pedem permissão para ir ao supermercado três vezes e vão fazer outras coisas”, diz o infectologista. Cada pessoa tem limite de sete permissões por semana para sair de casa e há justificativas pré-estabelecidas pelo governo.

Além disso, ele acredita que falta fiscalização: durante todo o mês de maio, foi ao hospital no qual trabalha duas vezes por semana e nunca foi parado. A primeira vez foi na última semana.

Segundo um levantamento divulgado pelo portal Emol, durante a restrição, a circulação só caiu 30%.

Sobre o pico, Jaime Labarca acredita que seja na próxima semana. Dessa forma, não vê, no horizonte, possibilidade de a região metropolitana de Santiago sair do lockdown tão cedo.

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