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Executivos de Wall Street têm tempo livre com queda dos negócios

(Bloomberg) -- Em um barco sob a Estátua da Liberdade durante um happy hour em uma quinta-feira de agosto, jovens colegas de trabalho no Morgan Stanley bebiam champanhe e sorriam. Dois analistas do setor bancário do Citigroup deixaram a sede da empresa às 17h40 para beber algo do outro lado da rua. Um jovem analista de banco de investimento, que quase teve um “burnout” no ano passado, agora dispõe de tempo livre suficiente para assistir a shows da Broadway.

Tudo isso era praticamente impensável um ou dois anos atrás.

Naquela época, o trabalho de subscrição e consultoria se acumulava, e banqueiros juniores sentiam a pressão, o que provocou uma rebelião de profissionais em Wall Street que não conseguiam encontrar tempo para comer ou tomar banho. Funcionários do Goldman Sachs fizeram uma apresentação pedindo aos chefes que reduzissem as horas semanais para 80, e o banco foi um dos muitos que acabaram prometendo mais flexibilidade e folgas.

À medida que o verão no hemisfério norte se aproxima do fim, novatos do setor financeiro saboreiam a liberdade, enquanto alguns se preocupam com o que isso significa para suas futuras carreiras. A ansiedade cresce na era mais gentil de Wall Street para jovens profissionais, de acordo com entrevistas com 10 banqueiros. Estão desfrutando dos barcos e bares, mas o trabalho sem brilho, acordos globais de fusão e aquisição em queda e a perspectiva de redução de bônus e demissões criam um clima de desânimo.

“Quando você entra nesse período de incerteza do mercado, pode ser um pouco inquietante” que a carga de trabalho diminua, disse Matt Walicki, 24, analista do setor bancário do Mizuho Americas. Ele disse que os meses intensos de 2020 estabeleceram um marco, por isso se sente ainda mais grato por ter tempo para jogar tênis ou golfe. Ainda assim, “é um fluxo de acordos mais lento do que vimos, e acho que isso mudou a natureza do trabalho”.

Tudo isso pode divertir banqueiros veteranos workaholics, que zombaram dos pedidos de equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Porém, os mais jovens não estão reclamando dos avanços conquistados. Estão ansiosos com o fato de construírem suas carreiras sem grandes acordos lucrativos, mesmo que agora estejam recebendo salários iniciais que superam US$ 100 mil ao ano.

Analistas do Citigroup, um vestido de jeans e camisa polo, o outro de jeans e camisa rosa, bebiam cerveja na Greenwich Street Tavern em uma terça-feira recente, enquanto uma multidão de colegas saía da torre do banco do outro lado da rua.

Suas jornadas não são tão ruins quanto costumavam ser, disseram os banqueiros, que pediram para não serem identificados. Eles trabalham das 10 da manhã às 10 da noite, com intervalos como o relatado para tomar um drink. Apenas cerca de uma vez por mês trabalharam até tarde da noite. É mais divertido, exceto quando se preocupam com rumores de bônus em queda em toda a indústria.

Sair às 15h

Pouco antes das 15h naquela sexta-feira, um banqueiro sênior do Citigroup ficou feliz em perceber que funcionários juniores já haviam terminado a jornada. Para ele, é um sinal de que o banco oferece um bom equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Joanna Levy, analista no primeiro ano na Solomon Partners, não teve “muito tempo de inatividade”, embora as coisas estejam “talvez um pouco mais lentas do que no outono”.

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