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Executiva do PSL recomenda suspensão de Eduardo Bolsonaro e 13 parlamentares

Andrea Jubé

Decisões foram encaminhadas ao diretório nacional, instância máxima do partido que deverá acatá-las e aplicar as respectivas punições A Executiva Nacional do PSL recomendou hoje a suspensão das atividades partidárias do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e de mais 13 parlamentares, bem como a pena de advertência a outros quatro deputados. Integrantes da ala bolsonarista, eles respondem a processos no Conselho de Ética da sigla.

As recomendações foram encaminhadas ao diretório nacional, instância máxima do partido que deverá acatá-las e aplicar as respectivas punições, o que deve ocorrer até a semana que vem.

O PSL ainda não divulgou a data da reunião do diretório. As sanções foram recomendadas a partir do julgamento dos processos no Conselho de Ética da legenda. A Executiva Nacional sugeriu a suspensão das atividades partidárias por 1 ano dos deputados Eduardo Bolsonaro, Daniel Silveira (RJ), Bibo Nunes (RS) e Alê Silva (MG).

A Executiva também recomendou a suspensão das atividades partidárias dos deputados Sanderson (RS), por 10 meses; do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (GO), por 7 meses; do deputado Carlos Jordy (RJ), por 7 meses; dos deputados Filipe Barros (PR), Bia Kicis (DF), Carla Zambelli (SP) e Márcio Labre (RJ), por 6 meses; dos deputados General Girão (RN), Cabo Junio Amaral (MG) e Luiz Phillipe de Orleans e Bragança (SP), por 3 meses.

A Executiva do PSL ainda recomendou a pena de advertência aos deputados Aline Sleutjes (PR), Chris Tonietto (RJ), Hélio Lopes (RJ) e Coronel Armando (SC).

O deputado Eduardo Bolsonaro deve ser punido com um ano de suspensão das atividades partidárias

Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Um integrante da Executiva disse ao Valor que as sanções foram aplicadas conforme as provas produzidas nos processos. Segundo este representante, se fossem considerados fatos veiculados pela imprensa, como o vazamento dos áudios obtidos clandestinamente pelo deputado Daniel Silveira – que gravou reunião da bancada ainda sob a liderança do Delegado Waldir (GO) – ele e Eduardo poderiam ser punidos com a pena máxima de expulsão por infidelidade partidária. Neste caso, o partido poderia reivindicar o mandato de ambos na Justiça.

O afastamento de Eduardo Bolsonaro, do líder do governo, Major Vitor Hugo, dos vice-líderes Bia Kicis e Filipe Barros cria um vácuo de liderança do governo na Câmara, agravando um quadro que já era desfavorável após o afastamento da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) da liderança do governo no Congresso.

Suspensos das atividades partidárias, eles não podem exercer os cargos de líder e vice-líder, encaminhar a votação de matérias, relatar propostas ou exercer qualquer atividade relacionada ao partido.

Os processos no Conselho de Ética foram deflagrados na esteira da crise com o presidente Jair Bolsonaro, que provocou um racha na bancada. Os deputados se dividiram entre aliados do presidente Luciano Bivar e bolsonaristas, que conseguiram afastar o Delegado Waldir da liderança, substituído por Eduardo após uma guerra de listas.

Depois que Eduardo for afastado da liderança da bancada, quando a pena de suspensão for aplicada, o PSL vai substituir os integrantes da CPMI das Fake News – Filipe Barros e Bia Kicis - por quadros não alinhados ao governo.

Segundo um deputado da ala bivarista, Joice Hasselmann estaria aguardando a mudança nos quadros da CPMI para remarcar o seu depoimento, que estava previsto para a semana passada e foi cancelado a pedido dela.

Joice promete atacar o governo e revelar novos detalhes sobre o esquema de disseminação de fake news. A audiência foi remarcada, provisoriamente, para o dia 4 de dezembro.