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Executiva da Huawei acusa EUA de omitir provas para conseguir extradição

Felipe Demartini
·4 minutos de leitura

O longo processo de extradição de Meng Wanzhou, a executiva da Huawei presa em 2018 no Canadá, continua, com a defesa da antiga diretora financeira da empresa afirmando que o governo dos EUA tenta transformar um processo que deveria ser direto ao ponto em um julgamento sobre crimes que ela diz não ter cometido. Segundo os advogados, a parte contrária omite provas e conta apenas parte da história real, em uma tentativa de forçar a justiça a reconhecer um processo por fraude e espionagem.

A ex-CFO da Huawei foi presa em dezembro de 2018 no Aeroporto Internacional de Vancouver, no Canadá. Ela é acusada de infringir termos de sanções americanas contra o Irã por ter, supostamente, escondido as relações entre a empresa de tecnologia e o país em negócios realizados naquele ano com o banco HSBC. A fabricante usaria uma empresa de fachada chamada Skycom para vender equipamentos ao país rival, o que fez com que, entre 2019 e 2020, o departamento de justiça americano também apresentasse acusações de fraude e espionagem contra Meng.

A extradição da executiva é solicitada para que ela possa responder às acusações em solo americano, mas os advogados dela afirmam se tratar de uma farsa para direcionar um processo que deveria ser objetivo. Entre as indicações de conduta equivocada, a defesa de Meng aponta que a principal prova dos oficiais dos Estados Unidos, uma apresentação de slides datada de agosto de 2013 e mostrada ao HSBC, foi revelada apenas em partes, de forma a passar a impressão de que os negócios com o Irã foram ocultados, sem incluir os segmentos em que a operação da Skycom e seus negócios na Ásia ocidental são evidenciados.

A defesa de Meng refuta a acusação de fraude e a ideia de que a Huawei tentou ocultar seu controle sobre a companhia, afirmando que essa relação sempre foi clara e era de conhecimento de todos os parceiros comerciais da fabricante. No caso do HSBC, especificamente, os advogados afirmam que a executiva apresentou informações suficientes para que o banco tomasse decisões acertadas e estavam cientes sobre o caso.

<em>Meng Wanzhou está presa no Canadá desde 2018, onde é acusada de fraude e espionagem; EUA desejam que executiva seja extraditada, para responder aos crimes no país (Imagem: Reuters)</em>
Meng Wanzhou está presa no Canadá desde 2018, onde é acusada de fraude e espionagem; EUA desejam que executiva seja extraditada, para responder aos crimes no país (Imagem: Reuters)

Além disso, constam a favor da CFO o fato de que o HSBC executou suas próprias auditorias e checagens antes de fechar negócios com a Huawei, algo que evidenciaria as relações com a Skycom, e ainda assim decidiram seguir adiante. Além disso, os advogados apontam que o banco tem operações fora dos Estados Unidos e que não dependem do sistema bancário americano, sendo assim, uma relação com uma empresa ligada, ainda que de forma indireta, ao Irã não representaria uma quebra nas regras de sanção econômica.

A audiência que aconteceu nesta segunda-feira (28) marcou a retomada do processo de extradição da antiga CFO, que permanece em prisão domiciliar no Canadá até que uma decisão seja tomada. A defesa, novamente, apresentou alegações de que todo o caso deveria ser suspenso devido a um abuso do sistema, que seria uma tentativa dos EUA de não apenas acusar a executiva de crimes que ela não cometeu como, também, transformar toda a ação em um show midiático, de forma que a Huawei, já banida de operar no país, tenha ainda mais efeitos danosos sobre sua imagem.

Ainda, os advogados de Meng acusam a polícia canadense de trabalhar de forma ilegal com o FBI, extraindo dados do notebook, smartphone e tablet da executiva, que foram repassados à agência americana, sem o devido processo legal. O argumento já havia sido derrubado em maio do ano passado, quando a justiça canadense considerou correta a atuação das autoridades ao afirmar que, se comprovadas as acusações de fraude e espionagem, tais crimes também seriam considerados como tal na justiça do Canadá.

Início das tensões

A prisão de Meng é considerada um dos estopins da guerra econômica que vem acontecendo desde 2018 entre os Estados Unidos e a China, que levaram também ao bloqueio completo da empresa em território americano. A ordem, assinada pelo presidente Donald Trump, impediu que a Huawei fizesse qualquer negócio com empresas dos EUA, o que levou, por exemplo, ao impedimento no uso do sistema operacional Android com apps do Google e à retirada da fabricante na corrida pelo 5G no país.

Esse último fato, inclusive, foi citado como uma das motivações do governo dos EUA pela própria Huawei, que acusa o país de agir em prol de interesses políticos e econômicos. Por outro lado, a Agência de Segurança Nacional americana diz que a Huawei tem relações escusas com o governo chinês e que o uso de seus equipamentos de tecnologia nas redes que servem ao país representa um risco aos cidadãos.

Enquanto isso, a executiva permanece em prisão domiciliar em Vancouver, após o pagamento de uma fiança no valor de US$ 10 milhões. Ela permanece usando uma tornozeleira eletrônica enquanto o processo de extradição não tem data para ser finalizado. Nem mesmo a próxima audiência está marcada e, enquanto, em declarações públicas, ela nega todas as acusações, a ideia é que todo o caso prossiga 2021 adentro.

Fonte: Canaltech

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