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EXCLUSIVO | Como o Google pensa aplicativos para quem não conhece aplicativos

·9 minuto de leitura

Entre os anos de 2015 e 2020, mais de 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo começaram a usar a internet pela primeira vez, tendo a internet móvel como a porta de entrada. No entanto, a falta de experiência com dispositivos deste tipo pode impedir o uso eficaz da internet e, até mesmo, a inclusão digital desses novos usuários.

Um dos maiores desafios de qualquer desenvolvedor é criar aplicativos capazes de rodar em todo tipo de aparelho, desde os tops de linha, com imenso poder de processamento, até os mais modestos, com pouca RAM e quase nenhuma memória interna. É por isso que muitas empresas optam por elaborar versões diferentes do mesmo app, uns voltados para quem é mais “hardcore” e outro para quem tem um celular mais basicão.

O Camera Go é a alternativa do Google para celulares mais simples (Imagem: Reprodução/Google)
O Camera Go é a alternativa do Google para celulares mais simples (Imagem: Reprodução/Google)

O Google é um exemplo bastante ilustrativo disso. Nesta semana, a companhia anunciou a chegada do modo retrato com fundo desfocado para o Camera Go, aplicativo que permite fazer fotos com aparência profissional em celulares mais simples. O app foi desenvolvido pelo time Next Billion Users (NBU), uma iniciativa para criar serviços e produtos voltados aos novos usuários de internet.

O programa está presente nas novas linhas de smartphones Twist 4 e Twist 4 Fit, da Positivo. Esses aparelhos são criados exatamente para usuários menos exigentes, principalmente para quem está entrando agora nesse “novo universo tecnológico”. No caso do Camera Go, os ícones tradicionais são substituídos por outros mais simples ou diretos. O botão de “tirar foto”, por exemplo, exibe texto abaixo e uma ilustração para indicar em qual modo de captura o aplicativo está no momento.

E como o Google pensa em quem está começando?

O Canaltech conversou, com exclusividade, com o gerente de produtos do Google e líder do NBU, Joris van Mens. O papo foi sobre essa importante vertente tecnológica de incluir cada vez mais pessoas no ambiente digital. Para esse público, tudo é difícil, por isso as equipes precisam se desdobrar para conseguir dialogar de forma efetiva.

Segundo o executivo, é um desafio e tanto pensar com a cabeça de quem está começando porque são dúvidas bem diferentes do habitual. Coisas básicas para alguém que entende um pouco mais de tecnologia, como trocar o papel de parede no Android, podem ser extremamente complexas para quem jamais lidou com um telefone mais "moderno", por exemplo.

Joris van Mens é gerente de produtos do Google e líder do projeto Next Billion Users (Imagem: Divulgação/Google)
Joris van Mens é gerente de produtos do Google e líder do projeto Next Billion Users (Imagem: Divulgação/Google)

Para van Mens, a melhor forma de identificar a dificuldade é na base da "tentativa e erro". O gerente explica que esse é um hábito não apenas dele, mas de todos no Google, incluindo engenheiros, gerentes de produto, designers, profissionais de marketing e outros. "Testamos tudo o que construímos com novos usuários para ver como eles respondem. O que funciona e do que eles gostam? Com quais recursos eles têm mais dificuldade e por quê?", explica.

Confira a entrevista na íntegra:

Canaltech: Quais são os desafios para quem começa a usar a internet hoje e se vê diante de um celular com centenas de funções e aplicativos?

Joris van Mens: Existem muitos. Para citar alguns: os novos usuários de smartphones geralmente não têm experiência anterior com computadores de mesa, e muitas coisas que são completamente naturais para nós (pense nos ícones Wi-Fi ou Salvar, por exemplo) não significam nada para eles. Em um nível mais profundo, muitas das abstrações com as quais estamos familiarizados — por exemplo, uma visualização de sua vizinhança pelo Maps — podem ser conceitos desconhecidos para eles e difíceis de entender no início.

Acrescente a isso que os métodos de navegação do smartphone — como deslizar, tocar na tela, etc. — são desconhecidos, e o idioma padrão do aparelho, geralmente o inglês, pode não ser bem compreendido, e você poderá então ver como é difícil realizar qualquer coisa em um telefone.

Como você e sua equipe, especialistas em tecnologia, pensam com a cabeça de quem mal sabe ligar um aparelho?

JvM: Existem muitos princípios de design que usamos, como confiar em recursos visuais e de texto, usar palavras que são comuns na vida cotidiana, confiar em voz e recursos visuais etc. Mas, o mais importante: testamos tudo o que construímos com novos usuários para ver como eles respondem. O que funciona e do que eles gostam? Com quais recursos eles têm mais dificuldade e por quê? Toda a nossa equipe — incluindo engenheiros, gerentes de produto, designers, profissionais de marketing e outros — aprende continuamente dessa forma.

Uma das principais dificuldades, principalmente para os idosos, é “quebrar” os aparelhos ou desconfigurá-los caso façam algo errado. Como o Google planeja produtos para esse tipo de pessoa? Como incentivá-los a superar esse “medo” de lidar com toques na tela ou controles por gestos, por exemplo?

JvM: Por um lado, fazemos uso extensivo de cores, visuais claros, animação e até personagens divertidos para tornar nossos aplicativos mais fáceis de entender e parecer mais acessíveis e amigáveis.

Também construímos nossos aplicativos de forma que quase tudo possa ser desfeito facilmente. Se você acidentalmente excluir uma imagem, pode pressionar imediatamente "desfazer" e, mesmo que não o faça, ela ainda pode ser recuperada por 30 dias. Se você alterar uma configuração, poderá sempre desfazer as alterações rapidamente. Construímos todas as coisas para serem flexíveis a toques e mudanças acidentais.

Quais são as principais diferenças entre o Camera Go e o aplicativo Android nativo?

JvM: Em comparação com o aplicativo de câmera do Pixel, existem algumas diferenças importantes. Usamos muitos exemplos visuais de nossos recursos, por exemplo, quando você liga o Modo Noturno ou HDR, mostramos pequenos exemplos de fotos que ilustram o que esse modo fará por você. Também somos muito mais intencionais quanto ao armazenamento limitado, ajudando o usuário a entender quantas fotos e vídeos a mais eles podem tirar antes de ficar sem espaço, um problema importante para esses telefones.

O Camera Go mostra quantas fotos ainda cabem, já que os dispositivos mais modestos em pouca memória (Imagem: Divulgação/Google)
O Camera Go mostra quantas fotos ainda cabem, já que os dispositivos mais modestos em pouca memória (Imagem: Divulgação/Google)

Existem também grandes diferenças debaixo do capô. Os telefones com Camera Go geralmente têm apenas cerca de 10% do poder de computação de um telefone Google Pixel premium. Portanto, construímos nossos algoritmos de fotografia computacional do zero para serem muito mais rápidos e leves, ao mesmo tempo em que produzem imagens de grande qualidade.

Um dos recursos que nos permite entender o que cada coisa faz são os ícones. Como criar uma iconografia para quem não sabe o que é filtro de imagem, abertura do obturador ou ISO nas câmeras?

JvM: Usamos uma variedade de abordagens para isso. Com recursos como abertura e ISO, escrevemos algoritmos que podem escolher padrões inteligentes dinamicamente, de modo que o usuário não precise escolher. Além disso, usamos iconografia de itens da vida cotidiana, como uma lua amarela para o Modo Noturno ou um rosto para selfies. Mas o mais importante é que mostramos exemplos: uma imagem sem Modo Noturno e outra com, para que o usuário possa ver o que essa opção realmente significa para suas fotos.

Os desenvolvedores colocam imagens para mostrar a diferença de usar o HDR, conceito que muita gente desconhece (Imagem: Divulgação/Google)
Os desenvolvedores colocam imagens para mostrar a diferença de usar o HDR, conceito que muita gente desconhece (Imagem: Divulgação/Google)

Em muitos países pobres, a taxa de analfabetismo é alta, tornando difícil para as pessoas entenderem os comandos de texto. Por outro lado, eles também não estão familiarizados com os ícones. O que o Google planeja fazer para superar essa barreira? Os comandos de voz podem ser uma boa solução?

JvM: Sim, a voz é definitivamente uma boa solução, e contamos cada vez mais com voz para entrar, sair e acionar comandos em nossos aplicativos. Os usuários podem abrir o Camera Go por voz e, em alguns dispositivos, até tirar uma foto dizendo “tirar uma foto”.

Mas também existem outras maneiras de tornar as coisas mais claras: sempre usando ícones e texto e, em seguida, usando a iconografia de itens familiares e uma terminologia cotidiana muito simples. Combinado com exemplos visuais que demonstram o efeito dos recursos, vemos uma compreensão muito melhorada.

Dá para imaginar o quanto é difícil fornecer uma experiência fotográfica semiprofissional em um dispositivo com câmera de baixa qualidade, pouco espaço de armazenamento ou menos do que a RAM ideal. Como o Google planeja adicionar recursos inovadores em dispositivos com configurações tão modestas?

JvM: É um grande desafio técnico, de fato, mas emocionante. Temos equipes de engenheiros e pesquisadores de fotografia computacional que se orgulham de criar algoritmos que produzem fotos de alta qualidade usando o mínimo de capacidade de processamento, RAM e armazenamento. É um esforço contínuo, mas estamos muito orgulhosos com o quão longe chegamos e com a qualidade das imagens que o Camera Go produz.

Quantas pessoas o Google deseja alcançar com o Camera Go? Quais mercados mundiais terão prioridade além do Brasil? Como essa análise foi feita?

JvM: Esperamos alcançar mais de 100 milhões de pessoas usando o Camera Go nos próximos anos. O Brasil é um grande mercado. Outros são, por exemplo, Índia, Indonésia e partes da África Subsaariana. Procuramos países onde milhões de pessoas estão comprando seu primeiro smartphone, e onde os smartphones mais acessíveis são populares.

Os apps tradicionais de câmera normalmente não tem uma funcionalidade de tradução integrada como há no Camera Go (Imagem: Divulgação/Google)
Os apps tradicionais de câmera normalmente não tem uma funcionalidade de tradução integrada como há no Camera Go (Imagem: Divulgação/Google)

Na maioria dos países pobres, a velocidade de acesso é um grande problema para quem precisa fazer videoconferência ou até mesmo baixar atualizações para seus celulares. Existem planos para desenvolver produtos projetados para pessoas com acesso limitado à Internet?

JvM: No passado, experimentamos vários produtos para melhorar o acesso das pessoas à Internet e isso continua sendo um desafio estimulante. Mas, sendo realista, as coisas estão melhorando rapidamente: cada vez mais usuários iniciantes de smartphones têm acesso a dados abundantes de 3G ou 4G, e muitos até têm Wi-Fi em casa. Então, o acesso está aos poucos se tornando um problema menor.

Existem outros “aplicativos tradicionais” nos planos para serem simplificados, como Gmail ou Meet? Quais serão os próximos passos?

JvM: Temos alguns outros aplicativos excelentes que são otimizados para smartphones mais acessíveis. Um exemplo é o "Arquivos", do Google, que ajuda as pessoas a facilmente liberar espaço de armazenamento e a compartilhar arquivos sem usar a internet, ou o Gallery Go, que é uma alternativa rápida e leve ao Google Fotos, não requer acesso à Internet, mas ainda assim oferece excelentes recursos de categorização de fotos com tecnologia de inteligência artificial. Continuamos o desenvolvimento neste espaço, portanto mais novidades poderão surgir no futuro.

Fonte: Canaltech

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