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Excesso de petróleo encolhe mesmo com impacto da Índia, diz AIE

·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A Agência Internacional de Energia disse que o excesso de petróleo acumulado na pandemia foi praticamente eliminado, mesmo com o forte impacto na demanda devido à nova onda de Covid-19 Índia.

Os estoques excedentes de petróleo de países desenvolvidos são agora apenas uma pequena fração dos níveis quando a demanda colapsou no ano passado, pois cortes da produção da Opep e de aliados drenaram o excesso, disse a AIE na quarta-feira. Ainda assim, a agência espera um revés temporário no consumo global em meio ao aumento dos casos de Covid na Índia, antes de a recuperação ser retomada no final do ano.

“Os estoques mundiais de petróleo inchados que se acumularam durante o choque da demanda causada pela Covid-19 no ano passado voltaram a níveis mais normais”, disse a AIE em relatório mensal. “Mas a crise de Covid na Índia é um lembrete de que as perspectivas para a demanda por petróleo estão mergulhadas em incertezas. Até que a pandemia seja controlada, a volatilidade do mercado provavelmente persistirá.”

Os mercados de petróleo estenderam sua recuperação este ano com o aumento do consumo de combustíveis na China e nos Estados Unidos, elevando os preços internacionais para cerca de US$ 69 o barril em Londres.

Em março, os estoques de petróleo de países desenvolvidos estavam apenas 36,9 milhões de barris acima do nível médio de 2015 a 2019, abaixo de um superávit de cerca de 250 milhões de barris em meados do ano passado, disse a AIE. Em comparação com a média de 2016 a 2020, o excedente é de apenas 1,7 milhão de barris, menos do que a capacidade de um superpetroleiro.

Mas a demanda sente um impacto temporário: as previsões para o consumo indiano no segundo trimestre foram cortadas em 630 mil barris por dia com o avanço da Covid-19 no país. As estimativas para a demanda global em 2021 foram reduzidas em 270 mil barris por dia, para 96,4 milhões por dia. A AIE, com sede em Paris, assessora a maioria das principais economias.

“As perspectivas para a demanda continuam frágeis”, disse Toril Bosoni, responsável por mercados de petróleo e indústria da AIE, em entrevista à Bloomberg TV. Ainda assim, a agência “espera uma recuperação muito forte no crescimento da demanda no segundo semestre”.

O consumo global deve subir em 5,4 milhões de barris por dia, ou 6% este ano após a queda sem precedentes de 2020. A recuperação ganhará impulso no segundo semestre, fazendo com que os estoques diminuam ainda mais.

Com isso, a aliança de 23 países Opep+, liderada pela Arábia Saudita e pela Rússia, precisará fazer uma escolha: restaurar um pouco mais da produção que interromperam ou continuar a apertar os mercados globais.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e parceiros estão em processo de devolver cerca de 2 milhões de barris de produção diária ao mercado em três parcelas mensais. Quando o aumento for concluído em julho, os dados da AIE indicam que a demanda por petróleo do cartel ainda será maior do que a produção.

Os 13 membros da Opep bombearam cerca de 25 milhões de barris por dia no mês passado, enquanto a demanda por sua oferta no terceiro trimestre é projetada em 28,1 milhões de barris, de acordo com o relatório da agência.

“No atual cenário de produção da Opep+, a oferta não aumentará rápido o suficiente para acompanhar a recuperação esperada da demanda”, disse a agência. “O aumento da lacuna entre oferta e demanda abre caminho para uma maior flexibilização dos cortes de oferta da Opep+ ou até mesmo para uma redução mais acentuada dos estoques.”

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©2021 Bloomberg L.P.