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Exame de COVID-19 pode ser feito com sangue seco e custar menos, diz estudo

Fidel Forato
·3 minutos de leitura

Para identificar quem já teve COVID-19, pesquisadores ingleses desenvolveram um novo método baseado na análise em amostras de sangue seco, mais especificamente manchas já secas de sangue (DBS) em papel. Essa pode ser uma alternativa que substitui a coleta de sangue "fresco" para a leitura de anticorpos contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), segundo estudo da Universidade de Birmingham, no Reino Unido.

Hoje, a maioria dos testes para anticorpos da COVID-19 utiliza o soro ou o plasma do paciente, o que requer uma amostra de sangue intravenosa completa e que é coletada por um profissional da saúde. O método é simples, mas isso limita logisticamente grandes testes populacionais, já que demanda mais recursos e encarece os processos.

Exame usa amostra de sangue seco para identificar COVID-19 (Imagem: Reprodução/ University of Birmingham/ Eureka Alert)
Exame usa amostra de sangue seco para identificar COVID-19 (Imagem: Reprodução/ University of Birmingham/ Eureka Alert)

Por outro lado, as amostras de sangue seco são simples, baratas e podem ser coletadas pelo próprio paciente, mesmo em casa, a partir de uma picada no dedo. O único diferencial é que essa amostra deve ser coletada em um cartão específico para as análises posteriores.

Como funciona o teste da COVID-19?

Para comprovar a eficácia dessa nova metodologia, os pesquisadores analisaram amostras de soro e DBS de voluntários de um hospital no Reino Unido. No grupo, alguns dos pacientes já haviam previamente testado positivo para infecção por coronavírus em testes do tipo RT-PCR, enquanto o status sorológico de outros pacientes era negativo ou ainda desconhecido.

Todas as amostras (anônimas) tanto de soro quanto de sangue seco foram processadas por um teste altamente sensível desenvolvido pelo grupo. Com ele, foi possível detectar especificamente anticorpos (IgG, IgA e IgM) para o SARS-CoV-2. De acordo com os resultados, as análises apresentaram diferenças mínimas com discordância insignificante, independente da forma de coleta.

Em relação às amostras de soro, as de sangue seco alcançaram 98% de sensibilidade e 100% de especificidade para a detecção de anticorpos. Além disso, todas as amostras positivas no exame anterior também foram positivas para anticorpos em DBS.

Exames mais baratos e acessíveis

"Nossos resultados demonstraram que a coleta de sangue seco não só oferece uma alternativa viável para o teste de anticorpos, mas também supera as limitações que os métodos atuais podem apresentar, eliminando a necessidade de flebotomistas qualificados [profissionais da área de saúde especializados em coleta e análise de sangue]", afirma um dos autores do estudo e professor da Universidade de Birmingham, Dr. Matthew O'Shea.

"O DBS oferece a oportunidade de testes ao nível populacional mais amplo e vigilância aprimorada em grupos vulneráveis, como pacientes com doenças crônicas, imunocomprometidos e idosos, eliminando a necessidade de entrar em contato com um profissional de saúde durante a coleta de amostra", reforça O'Shea.

"Além de oferecer a oportunidade de melhores testes de anticorpos para toda a população no Reino Unido, a simplicidade e o custo-benefício do método de coleta de sangue seco podem melhorar a eficácia de amostragem em países de baixa e média renda, entre grupos onde a punção venosa é culturalmente inaceitável ou em populações geograficamente dispersas", completa outro pesquisador da universidade e também responsável pelo estudo, Adam Cunningham.

Para ler o estudo completo, publicado no Emerging Infectious Diseases journal, clique aqui.

Fonte: Canaltech

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