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Ex-presidente Lula fala dos evangélicos e das perspectivas políticas para 2020

Valor

Na sede do partido, petista confirmou que legenda terá candidato próprio na capital paulista (atualizada às 17h29)

Em entrevista ao Uol, publicada hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou, entre outros pontos, do púbico evangélico e seu peso enquanto eleitorado. “O que o PT tem que entender é que essas pessoas estão na periferia, oferecendo às pessoas pobres uma saída espiritual. As pessoas estão ilhadas na periferia, sem receber a figura do Estado. E recebem quem? De um lado, o traficante. De outro lado, a Igreja Evangélica, a Igreja Católica”, disse ele, na entrevista concedida na sede do Partido dos Trabalhadores, em São Paulo.

Lula falou das perspectivas políticas para 2020, do PT e das eleições municipais. O político contou que, devido à falta de opções na TV aberta, meio de informação de que dispunha nos 580 dias em que ficou preso em Curitiba, assistia aos cultos religiosos. “E eles estão entrando na periferia, porque o povo, quando está desempregado e necessitado, a fé dele aumenta. Essa fé, do povo brasileiro, é muito grande e nós temos que respeitar. E ao invés de sermos do contra, temos que saber como é que a gente lida com esse novo modo de pensar do povo brasileiro. Inclusive de pensar a religião.”

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista ao site Uol

Reprodução Internet

O ex-presidente confirmou que o PT vai lançar candidato próprio na capital paulista e que não será Fernando Haddad, conforme veiculado pelo UOL. “É um quadro muito importante, tem uma tarefa nacional e internacional para o PT. Acho que está correto em não querer ser candidato”, explica. Ele citou o vereador Eduardo Suplicy como alguém que pode surpreender, mas também outros pré-candidatos.

Segundo o ex-presidente, o partido é favorável a alianças e pode realizá-las em primeiro turno nos locais em que houver aliados bem colocados na disputa. Mas não pode “truncar” a militância que quer ter candidato próprio.

Sobre o governo Jair Bolsonaro, Lula defendeu que avaliar um mandato com apenas um ano de governo é pouco, e que um presidente pode se recuperar nos anos seguintes. Segundo ele, o ex-capitão ainda tem “gordura para queimar.”

“Mesmo quem votou contra o Bolsonaro tem que saber o seguinte: ele é presidente. Eu vou ficar sentado na cadeira, dizendo que ele não presta e torcendo para que dê tudo errado? Não. Ele tem a obrigação de governar pensando no bem, no ser humano, no mais pobre, no país, na nossa soberania, nos nossos estudantes, no nosso povo trabalhador... E parar de falar bobagem!”, afirmou. Bolsonaro, segundo Lula, tem que parar de ficar dando recado para o seu “clube” e governar para todos.

Ele também criticou o ministro da Economia, Paulo Guedes. “Estou vendo o Guedes anunciar que vai abrir as compras governamentais para as empresas estrangeiras. Você tem noção do que significa isso? Capacidade zero do Estado propor ou ter influência na elaboração de políticas públicas de indução do crescimento econômico.”

(Com agências de notícias)