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Ex-ministro do STF Celso de Mello afirma que Bolsonaro 'desconhece o valor da vida' ao impedir lockdown nacional

Aguirre Talento
·3 minuto de leitura

BRASÍLIA - O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello enviou uma mensagem a amigos na qual fez duras críticas à atuação do presidente Jair Bolsonaro na pandemia da Covid-19, afirmando que o presidente "desconhece o valor da vida" por impedir a decretação de um lockdown nacional. Aposentado do STF em outubro do ano passado, Celso tem se mantido afastado da vida pública desde então. Tem vivido em reclusão na sua residência em Tatuí (SP), sua cidade natal, mas fez esse desabafo a respeito do assunto.

A vaga de Celso no Supremo foi ocupada pelo ministro Nunes Marques, indicado por Bolsonaro. Marques tem enfrentado desgastes dentro da corte após ter determinado, em uma decisão monocrática concedida no final de semana, a abertura dos cultos religiosos em meio ao recorde de casos e mortes da Covid-19.

O ex-ministro cita, em sua mensagem, o lockdown feito no município de Araraquara (SP), pelo prefeito Edinho Silva (SP), como exemplo bem-sucedido para o Brasil de combate à pandemia e elogia o fato de a medida ter seguido recomendações científicas das principais autoridades do mundo. Após o fechamento das atividades, os casos e mortes na cidade foram reduzidos drasticamente. Especialistas têm defendido um lockdown nacional como única forma de frear o crescimento dos casos da Covid-19 e impedir o surgimento de novas variantes.

"Hoje, em nosso País, o Presidente da República (que julga ser um monarca absolutista ou um contraditório 'monarca presidencial') tornou-se, com justa razão, o Sumo Sacerdote que desconhece tanto o valor e a primazia da vida quanto o seu dever ético de celebrá-la incondicionalmente !!! A sua arbitrária recusa em decretar o 'lockdown' nacional (como ocorreu em países de inegável avanço civilizatório) equivale a um repulsivo e horrendo 'grito necrófilo'", escreveu Celso de Mello.

A mensagem do ex-ministro foi revelada pelo site "Conjur" e obtida pelo GLOBO.

Esse grito necrófilo, explica o ex-ministro, refere-se a um fato histórico: "o conflito entre Miguel de Unamuno, Reitor da Universidade de Salamanca no início da Guerra Civil espanhola, em 1936, e o General Millán Astray, que, seguidor falangista fiel ao autocrata Francisco Franco, 'Caudilho de Espanha', lançou o grito terrível '¡Viva la Muerte; abajo la inteligencia'!".

"Esse gesto insensato do Presidente da República , opondo-se ao 'lockdown' nacional, mostra-se, de um lado, próprio de quem não possui o atributo virtuoso do 'statesmanship'". A expressão pode ser traduzida como sentido de Estado ou qualidade de estadista.

Conclui na mensagem: "De outro lado, essa conduta negacionista torna imputável ao Chefe de Estado, em face de seu inqualificável despreparo político e pessoal, a nota constrangedora e negativa reveladora daquela 'obtusidade córnea” de que falava Eça de Queirós , em 1880, no prefácio da 3a. edição de sua obra 'O Crime do Padre Amaro', no contexto da célebre polêmica que manteve com o nosso Machado de Assis". No prefácio da terceira edição do seu livro, Eça de Queirós rebate críticas de que a obra seria cópia de outra, dizendo que isso só poderia ser dito por quem tem "obtusidade córnea" ou age de "má-fé cínica".