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Ex-funcionário do Twitter é condenado por espionar para a Arábia Saudita

Funcionários do Twitter teriam ajudado governo da Arábia Saudita a monitorar dissidentes (Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images)
Funcionários do Twitter teriam ajudado governo da Arábia Saudita a monitorar dissidentes (Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images)
  • Esta é a primeira vez que a Arábia Saudita é acusada de espionagem nos EUA;

  • Governo dos Estados Unidos teria deixado escapar agentes mais importante para o caso;

  • Twitter insiste que medidas de segurança foram tomadas para impedir acesso indevido a informações.

Uma nova reportagem da Bloomberg aponta que pelo menos um ex-funcionário do Twitter foi condenado nos Estados Unidos por ajudar a espionar para o governo da Arábia Saudita. Ahmad Abouammo, residente dos EUA, de acordo com os promotores, recebeu subornos em 2015 de um assessor do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, Bader Al Asaker, em troca de informações confidenciais de contas que poderiam ser usadas para rastrear e silenciar dissidentes.

O ex-gerente de parceria de mídia afirmou que não fez mais do que seu trabalho, porém a promotoria americana mostrou evidências de que Abouammo recebeu US$ 300.000 e um relógio Hublot de US$ 20.000 do assessor.

Ahmad foi condenado por acusações de lavagem de dinheiro, conspiração para cometer fraude eletrônica, e por ser um agente da Arábia Saudita não registrado no governo americano, e está enfrentando uma pena entre 10 a 20 anos de prisão.

Segundo a advogada de defesa de Abouammo, a condenação exagerada de seu cliente é uma forma do governo americano e do Twitter manterem as aparências, visto que eles teriam deixado seu principal alvo, o ex-engenheiro do Twitter Ali Alzabarah, fugir para a Arábia Saudita. Acredita-se que um terceiro suspeito fora do Twitter, Ahmed Almutairi, tenha agido como intermediário antes de partir para a Arábia Saudita.

O caso destaca preocupações sobre o potencial de funcionários de empresas de mídia social abusarem das informações da conta. O Twitter disse anteriormente que limitava o acesso a dados a funcionários aprovados e tinha “ferramentas” para proteger a privacidade, mas essas salvaguardas claramente falharam. Ainda há preocupações de que as empresas de internet precisem aumentar ainda mais a segurança para evitar usos indevidos semelhantes.