Mercado fechará em 2 h 19 min
  • BOVESPA

    113.162,82
    -901,54 (-0,79%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    51.268,44
    -195,83 (-0,38%)
     
  • PETROLEO CRU

    74,09
    +0,79 (+1,08%)
     
  • OURO

    1.751,30
    +1,50 (+0,09%)
     
  • BTC-USD

    41.945,54
    -2.805,66 (-6,27%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.043,41
    -59,65 (-5,41%)
     
  • S&P500

    4.448,04
    -0,94 (-0,02%)
     
  • DOW JONES

    34.751,63
    -13,19 (-0,04%)
     
  • FTSE

    7.051,48
    -26,87 (-0,38%)
     
  • HANG SENG

    24.192,16
    -318,82 (-1,30%)
     
  • NIKKEI

    30.248,81
    +609,41 (+2,06%)
     
  • NASDAQ

    15.290,00
    -13,50 (-0,09%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,2512
    +0,0262 (+0,42%)
     

Ex-funcionários da Cinemateca listam acervo perdido e criticam governo

·4 minuto de leitura
SÃO PAULO, SP, 30.07.2021 -
SÃO PAULO, SP, 30.07.2021 -

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Arquivos de órgãos extintos do audiovisual brasileiro, como a Embrafilme, a Empresa Brasileira de Filmes, o Instituto Nacional do Cinema e o Concine, o Conselho Nacional de Cinema. Documentos do arquivo Tempo Glauber, que reúne diários, anotações pessoais e cartazes originais do cineasta baiano Glauber Rocha. Matrizes e cópias de cinejornais, filmes documentais, filmes domésticos e de ficção.

Um primeiro inventário do acervo guardado no depósito da Cinemateca Brasileira na Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo, potencialmente destruído ou danificado pelo incêndio que atingiu o galpão na última quinta-feira, está no manifesto lançado nesta sexta por ex-funcionários da instituição.

Eles criticam o edital lançado pelo governo Bolsonaro "sem debate, ferramentas de transparência, a participação da população, de pessoas da área de patrimônio cultural e, principalmente, do coletivo dos ex-trabalhadores da instituição".

Segundo o documento, essa "não será a solução", já que o modelo de gestão por organização social se mostrou falho. "É preciso estabilidade e garantia de equipe técnica a longo prazo, oferecendo à instituição um orçamento compatível com os necessários serviços de preservação e difusão do audiovisual brasileiro."

O manifesto, assinado por trabalhadores da Cinemateca Brasileira, denuncia "a ausência de quaisquer trabalhadores de documentação, preservação e difusão" na instituição. "Seguramente, muitas perdas poderiam ter sido evitadas se os trabalhadores estivessem contratados e participando do dia a dia da instituição", escrevem.

O manifesto trata do incêndio como um "crime anunciado" que "culminou na perda irreparável de inúmeras obras e documentos da história do cinema brasileiro". Esse foi o quinto incêndio que acometeu a Cinemateca Brasileira, que há dez anos chegou a ser apontada pela Federação Internacional de Arquivos Fílmicos, a Fiaf, como uma das três melhores do mundo.

De acordo com o manifesto, as instalações da Cinemateca na Vila Leopoldina "são parte fundamental e complementar" da sede da instituição, na Vila Clementino, onde fica armazenada a maior parte do acervo.

O inventário levantado pelos ex-funcionários surpreendeu André Sturm, presidente do Belas Artes Grupo e ex-secretário municipal de Cultura de São Paulo, que amanheceu nesta sexta com a notícia de que 250 rolos de 35 mm do acervo de sua distribuidora, a Pandora Filmes, estavam armazenados no galpão que pegou fogo.

"Colecionadores de quadros doam para museus. Eu doei minha coleção com cerca de 250 cópias em 35 mm para a Cinemateca", disse. Léo Mendes, funcionário do grupo que o ajudou a preparar os rolos para o envio à Cinemateca, também lamentou.

"Trabalhei arduamente, carregando muito peso, para separar esses 250 filmes, durante semanas. Achávamos que esses tesouros estavam indo para o lugar mais seguro que poderia existir."

No início de agosto, fará um ano que a Cinemateca foi fechada pelo governo federal. No manifesto, os trabalhadores apontam que, na ocasião, a demissão de todo o corpo técnico da instituição não foi acompanhada do acerto de salários e rescisões não pagos pela gestora anterior, a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto.

De acordo com o texto, desde então, foram contratadas equipes de manutenção predial, bombeiros e limpeza. Esses profissionais, no entanto, "apesar de serem fundamentais para o funcionamento do arquivo de filmes, não são suficientes para suas demandas específicas, como evidenciado neste dia fatídico".

Os trabalhadores apontam que a ausência de equipes técnicas especializadas ao longo de um ano possivelmente já teve consequências irreversíveis para o estado de conservação do maior acervo do cinema brasileiro, para além de enchentes e incêndios. "Certos danos são silenciosos, porém tão trágicos quanto um incêndio, e igualmente irrecuperáveis. Trata-se do tempo de vida dos diversos materiais, diminuindo drasticamente, e da perigosa deterioração dos filmes de nitrato e de acetato."

*

Veja abaixo a lista de documentos e filmes descritos no manifesto assinado por trabalhadores da Cinemateca.

Acervo documental

Grande parte dos arquivos de órgãos extintos do audiovisual como parte do Arquivo Embrafilme - Empresa Brasileira de Filmes S.A. (1969 - 1990), parte do Arquivo do Instituto Nacional do Cinema - INC (1966 - 1975) e Concine - Conselho Nacional de Cinema (1976 - 1990), além de documentos de arquivo ainda em processo de incorporação. Para evitar que novas enchentes atingissem o acervo, parte desses materiais foi transferida do térreo. Parte do acervo de documentos oriundos do arquivo Tempo Glauber, do Rio de Janeiro, inclusive duplicatas da biblioteca de Glauber Rocha e documentos da própria instituição.

Acervo audiovisual

Parte do acervo da distribuidora Pandora Filmes, de cópias de filmes brasileiros e estrangeiros em 35mm. Matrizes e cópias de cinejornais únicos, trailers, publicidade, filmes documentais, filmes de ficção, filmes domésticos, além de elementos complementares de matrizes de longas-metragens, todos esses potencialmente únicos. Parte do acervo da ECA-USP - Escola de Comunicações eArtes da Universidade de São Paulo da produção discente em 16 mm e 35 mm. Parte do acervo de vídeo do jornalista Goulart de Andrade.

Acervo de equipamentos e mobiliário de cinema, fotografia e processamento laboratorial

Além do seu valor museológico, muitos desses objetos eram fundamentais para consertos de equipamentos em uso corrente, pois, para exibir ou mesmo duplicar materiais em película ou vídeo, é necessário maquinário já obsoleto e sem reposição no mercado.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos