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Ex-BCs veem inflação na meta só em 2023: Café com Mercado

·6 minuto de leitura

(Bloomberg) -- O cenário de elevada incerteza pelo qual passa o Brasil atrapalha a atuação do Banco Central, que apesar do forte ciclo de aperto monetário, só deve conseguir trazer a inflação de volta para a meta a partir de 2023. O diagnóstico foi dado por três ex-presidentes do BC, que à frente da instituição lidaram com hiperinflação, desvalorização cambial e turbulências eleitorais, entre muitas outras crises.

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A lista atual de riscos apontada pelos ex-BCs é longa: fiscal “precário”, turbulência institucional, eleições e uma seca histórica. Tudo isso num momento de mudança na política monetária do Fed.

“O BC não vai, nem deve, trazer a inflação à meta da noite para o dia”, disse Armínio Fraga, fundador da Gávea Investimentos e que comandou a autoridade monetária entre 1999 e 2002. “A única solução vai ser de fato um reforço na área fiscal, e precisa ser um reforço convincente, que traga outra vez a noção de âncora, que a meu ver se perdeu.”

A atuação de Roberto Campos Neto é elogiada pelos três ex-presidentes da instituição, que acreditam que o BC está fazendo o que pode e ainda tem controle sobre as expectativas de inflação. Mas é grande o desafio de trazer à meta uma inflação que os economistas estimam ter batido dois dígitos em setembro.

“Não acho bom entrar no ano eleitoral com inflação a 10%, tendo que derrubá-la”, disse Ilan Goldfajn, presidente do conselho do Credit Suisse Brasil e que esteve à frente do BC entre 2016 e 2019.

Para Gustavo Loyola, sócio-diretor da Tendências Consultoria, a situação desfavorável do presidente Jair Bolsonaro nas pesquisas eleitorais acaba resultando em aumento de gastos, com medidas para melhorar sua popularidade.

“Este é o maior obstáculo que o BC tem na política monetária,” afirmou Loyola, que foi presidente da instituição duas vezes, entre 1992 e 1993 e novamente entre 1995 e 1997.

Esta edição especial do Café com Mercado reuniu três ex-presidentes do BC numa conversa virtual sobre política monetária, câmbio e os riscos à frente de um ano eleitoral. Com tantas incertezas, eles preferiram nem arriscar projeções específicas para a economia.

Presentes:

  • Armínio Fraga, fundador da Gávea Investimentos

  • Ilan Goldfajn, presidente do conselho do Credit Suisse Brasil

  • Gustavo Loyola, sócio-diretor da Tendências Consultoria

Meta só em 2023

Não é possível trazer uma inflação de 10% de volta à meta de um ano para outro, dizem os ex-BCs. A expectativa é que o IPCA feche 2021 em 8,51%, segundo a última pesquisa Focus. Para 2022, a meta é de 3,5%.

“Tem de tomar sempre cuidado na ida, porque na volta tem de pagar o preço de alguns anos para voltar à meta”, afirmou Ilan.

Para Loyola, o BC terá de fazer uma dosagem para não abandonar o propósito da meta, nem puxar muito o freio da economia. “Se o BC tiver a veleidade de tentar resolver todos os problemas do Brasil através da taxa Selic, vai bater com a cara no muro.”

O ajuste mais longo da inflação não significa uma desancoragem de expectativas ou perda de controle pelo BC, que segue dentro do regime e perseguindo a meta, na visão de Ilan e Loyola.

Armínio, no entanto, considera o quadro delicado neste momento. Perda absoluta do controle das expectativas não houve, avalia. “Mas estamos numa tendência de perda. Não é o oposto.”

Ele aponta para a alta da inflação implícita e dos prêmios de risco como sinal de alerta. “Claramente, o mercado como um todo está dando um sinal: pessoal, para aí, isso não está bom, não.”

BC de mãos amarradas

O BC está usando a alta de juros para combater a inflação, mas também se depara com diversos outros riscos que estão fora de seu controle, segundo os ex-BCs.

“O quadro fiscal precário cria uma situação bem desagradável para o BC”, afirmou Armínio.

As incertezas fiscais e políticas, quando até mesmo a âncora do teto de gastos é questionada, afetam a política monetária, disse Ilan.

O BC também se defrontou com a má gestão da pandemia no Brasil, além de enfrentar agora o efeito da mudança na política monetária nos EUA, segundo Loyola. A crise hídrica é outro fator que pressiona os preços.

Para Ilan, o BC tem acertado mais na comunicação, ao se mostrar menos preocupado com o ritmo da alta dos juros e mais com o tamanho do ciclo, sinalizando que a taxa chegará aonde for necessário.

Segundo eles, a autoridade monetária se favorece da autonomia legal para enfrentar a crise.

Pragmatismo no câmbio

O Banco Central deve continuar com a política de atuações pontuais no câmbio, sem interferir na tendência, dizem os ex-BCs. “Dado que tem reservas, o BC tem de atuar em momentos em que o mercado não está funcionando direito, com falta de liquidez”, disse Ilan, que cita o exemplo do programa de leilões de swaps para atender ao ajuste do overhedge.

Para Armínio, o BC deve evitar suavizar demais o comportamento do dólar e tem de permitir que a realidade dos fundamentos se imponha. As reservas cambiais não geram uma blindagem absoluta, segundo ele.

Loyola concorda e fala em não “vender seguro” para o mercado: “Os participantes do mercado têm de saber que a volatilidade é inerente ao regime cambial e que nossa moeda é de país emergente. Isso faz parte da regra do jogo que todo mundo sabe, todo mundo é adulto”.

O câmbio, aliás, é outra dor de cabeça para o BC. Com juros em alta e commodities subindo, o dólar deveria cair -- o que não vem acontecendo, cortando um importante canal de alívio para a inflação.

“Esse canal ficou limitado porque se você tem muita incerteza que está vindo de fora, da política, incertezas fiscais e até incertezas institucionais aconteceram ao longo desse tempo, o câmbio não consegue voltar”, disse Ilan.

Riscos institucionais

Os três ex-BCs mostraram preocupação com riscos institucionais, que afetam a visão dos investidores.

“Preocupou muito aquele 7 de setembro”, disse Loyola, ao citar as ameaças ao STF e as suspeitas levantadas pelo presidente sobre o sistema eleitoral. “É o tipo de tensão institucional que o Brasil não passa há muito tempo.”

Para Ilan, as incertezas sobre as questões institucionais e uma eleição polarizada podem gerar período mais volátil e difícil.

Na avaliação de Armínio, as tensões vão persistir no próximo governo, qualquer que seja o presidente, pela polarização de ideias. “Não é algo que traga grandes esperanças de um governo que vá consertar tudo.”

Terceira via

Os três ex-presidentes do BC acham possível uma candidatura de terceira via nas eleições, quebrando a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro.

“É mais de centro-direita do que de centro-esquerda, e vai ser engordada por votos que foram de Bolsonaro”, disse Loyola. “Ainda vejo chances de acontecer uma terceira via. Isso provavelmente exigiria ausência do atual presidente num segundo turno”, afirmou Armínio.

Por enquanto, a situação desfavorável de Bolsonaro nas pesquisas ainda agrava o risco fiscal, pela busca de recursos para recuperar o eleitorado de baixa renda, segundo Loyola.

“Não se pode falar em reformas. Estamos vendo até contrarreformas travestidas de reformas e a relação entre o Executivo e Legislativo cada vez mais dependente de liberação de verbas e mudanças com propósitos eleitorais,” disse Loyola.

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