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Ex-BC Kanczuk prevê recessão, descarta política monetária "maluca" com eventual vitória de Lula

Sede do Banco Central em Brasília

Por Lisa Pauline Mattackal

(Reuters) - O Brasil pode entrar em recessão no quarto trimestre deste ano, com a desaceleração do crescimento reduzindo a inflação no país, disse o ex-diretor do Banco Central Fabio Kanczuk nesta quarta-feira.

Ele afirmou que os aumentos de juros pelo Federal Reserve dos EUA reduzirão a inflação americana, o que deve levar a preços mais baixos de bens duráveis ​​no Brasil e dar ao BC mais flexibilidade no corte de taxas.

"As condições financeiras no Brasil já estão apertadas há muito tempo. Já temos tudo para termos algum tipo de recessão no Brasil. Isso está demorando muito mais do que esperávamos", disse o ex-diretor de Política Monetária do BC ao Reuters Global Markets Forum.

Kanczuk, que deixou o BC no final do ano passado, disse que, com o pagamento do Auxílio Emergencial turbinado por decisão do Congresso, é difícil imaginar um cenário de recessão no terceiro trimestre. "Então, melhor palpite, no quarto trimestre você vê uma grande desaceleração na economia. E então você tem recessão, quarto trimestre deste ano, primeiro trimestre do ano que vem. Isso implica um PIB alto este ano e um PIB baixo no próximo."

A inflação no Brasil atingiu 11,39% em meados de julho, muito acima da meta de 3,5% do Banco Central, mas os formuladores de política monetária correm o risco de apertar demais a taxa se uma recessão provocar uma queda acentuada nos preços ao consumidor, disse Kanczuk, atualmente chefe de macroeconomia da ASA Investments.

"Os formuladores de política monetária, inclusive eu, têm sido muito otimistas sobre (controlar) a inflação, e podemos ter o mesmo erro 'de cabeça para baixo'."

Kanczuk espera que o BC elevará a taxa Selic em 50 pontos-base em sua reunião de agosto, para 13,75%, e provavelmente prosseguirá com incrementos de 25 pontos-base, até encerrar o ciclo de alta com a taxa básica em 14,25%.

LULA

Conforme o país se prepara para as eleições presidenciais de outubro, Kanczuk disse que as preocupações dos investidores com a possível eleição do ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva são exageradas.

"Lula é muito pragmático", disse Kanczuk, acrescentando que suas políticas não "criariam um problema em termos de sustentabilidade da dívida ou política monetária maluca".

Ele projeta que o Brasil crescerá 2% este ano, à medida que as medidas de auxílio reforçam temporariamente a economia, e 0% em 2023, conforme o efeito do estímulo diminui.

Economistas consultados pela Reuters em julho esperavam um crescimento de cerca de 0,8% no próximo ano.

(Reportagem de Lisa Pauline Mattackal em Bangalore; reportagem adicional de Marcela Ayres em Brasília)

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