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Ex-autoridades do Fed pedem aumentos acentuados nos juros e alertam para recessão

O então vice-chair do Federal Reserve, Richard Clarida, cumprimenta um membro da equipe do Fed de Dallas antes de embarcar em um ônibus para visitar o sul de Dallas como parte de um alcance comunitário dos banqueiros centrais dos EUA, em Dallas, Texas, EUA, 25 de fevereiro de 2019. REUTERS /Ann Saphir

Por Ann Saphir e Lindsay Dunsmuir

(Reuters) - Dois ex-funcionários de alto escalão do Federal Reserve, agora livres de ter que definir a política econômica e ser responsabilizados por ela, estão alertando que o banco central dos Estados Unidos terá de aumentar os juros mais do que o esperado e o resultado pode ser uma recessão --aviso que nenhum dos dois havia dado antes de deixar seus cargos, há alguns meses.

Comentários nesta semana dos dois mais recentes vice-chairs do Fed --Richard Clarida, que até janeiro atuou como um dos principais tenentes do chair Jerome Powell para a formação da política monetária, e Randal Quarles, que supervisionou a regulação bancária até o fim do ano passado-- estão entre o pequeno coro de outros ex-banqueiros centrais dos Estados Unidos oferecendo críticas sobre em que ponto a política do Fed está e para onde vai.

Clarida, agora de volta à academia como professor de economia na Universidade de Columbia, disse nesta sexta-feira que o Fed precisará elevar os juros até um "território restritivo" para desacelerar o crescimento econômico e conter a inflação. Quarles, que voltou para uma empresa de investimentos com sede em Utah da qual foi um dos fundadores, disse que uma recessão agora é "provável".

As opiniões pessimistas de ex-autoridades surgem no momento em que Powell acelera a batalha do banco central norte-americano contra a inflação. Na quarta-feira o Fed aumentou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual e seu chair praticamente prometeu mais dois incrementos nessa magnitude até julho.

O ritmo de aperto da política monetária foi projetado para levar os custos dos empréstimos "rapidamente" a uma faixa neutra de 2,25% a 2,5% e a uma posição de aumentá-los ainda mais, se necessário. Powell disse ver um "caminho plausível" para esfriar a inflação sem criar desaceleração econômica.

Clarida, falando nesta sexta numa conferência na Instituição Hoover da Universidade de Stanford, disse que o Fed precisará aumentar os juros para "pelo menos" 3,5%, se não mais, para trazer a inflação de volta à meta de 2%.

Quarles, que quando estava no Fed era mais abertamente "hawkish" (agressivo contra a inflação) do que Clarida, estava com a língua ainda mais afiada nesta semana.

"Estaríamos melhor se tivéssemos começado a lidar com isso em setembro" passado, disse ele ao podcast Banking With Interest, culpando o atraso, pelo menos em parte, ao fato de o presidente norte-americano Joe Biden ter adiado até novembro a decisão de renomear Powell para um segundo mandato como chair do Fed.

Agora, com a pressão inflacionária intensa, o desemprego baixo e a demanda superando em muito a oferta, o efeito dos rápidos aumentos de juros "provavelmente será uma recessão", disse Quarles, indicado de Donald Trump que deixou o cargo em dezembro após não receber o aval de Biden para um segundo mandato no banco central.

Nem Quarles nem Clarida, também indicado por Trump, haviam pedido aumentos acentuados dos juros antes de deixar o Fed.

Bill Dudley, que dirigiu o Fed de Nova York até 2018, também diz que o Fed está atrasado no aumento dos juros e que isso resultará em recessão.

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