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Ex-astronauta da NASA alerta: a ISS pode ter mais rachaduras do que sabemos

·3 minuto de leitura

Em agosto, os cosmonautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) relataram a descoberta de rachaduras no módulo Zarya, do segmento russo do laboratório orbital — e, embora não representem perigo imediato à tripulação, Bill Shepherd, astronauta aposentado, as considera uma questão grave. O assunto foi discutido nesta terça-feira (21) durante uma audiência com o comitê da Câmara dos Estados Unidos, voltada para discussões sobre o futuro da NASA na órbita baixa da Terra e considerações sobre a ISS.

Shepherd foi à órbita quatro vezes durante o programa dos ônibus espaciais e trabalhou na ISS quando os primeiros módulos ainda estavam sendo lançados. Assim, ele foi o comandante da primeira tripulação que esteve por lá no ano 2000, e afirmou aos oficiais na audiência que aprendeu mais sobre as rachaduras observadas durante reuniões com um comitê da NASA.

A tripulação da Expedição 1, composta por Bill Shepherd, Yuri Gidzenko e Sergei Krikalev (Imagem: Reprodução/NASA)
A tripulação da Expedição 1, composta por Bill Shepherd, Yuri Gidzenko e Sergei Krikalev (Imagem: Reprodução/NASA)

Após os relatos dos cosmonautas, Vladimir Solovyov, diretor de voo do segmento russo da estação, trouxe a descoberta ao público. A agência espacial dos Estados Unidos afirma que as rachaduras não colocaram os astronautas em risco e que, por enquanto, não foram identificados novos possíveis pontos de vazamento; contudo, Shepherd acredita que existam, sim, mais rachaduras que ainda não foram encontradas.

Segundo ele, os engenheiros russos e da NASA analisaram o ocorrido, e ainda não conseguiram entender bem o porquê de essas rachaduras aparecerem somente agora. “Elas são bem pequenas, são como arranhões na superfície de um prato de alumínio e provavelmente existem em torno de uma dúzia delas”, explicou, ressaltando que, no momento, elas não têm tamanho suficiente para representarem um problema sério. Por outro lado, Solovyov já afirmou à agência de notícias RIA, da Rússia, que essas rachaduras tendem a se espalhar com o tempo.

O astronauta aposentado não confirmou se a NASA e a Rússia pretendem seguir em investigações para irem além do que já concluíram nessas análises — as primeiras rachaduras foram identificadas em 2019 e, desde então, ambas as agências espaciais levaram algum tempo para investigá-las e buscar soluções, mesmo que temporárias. Além disso, vale destacar que a ISS já passa dos 20 anos de operação na órbita da Terra, e estes problemas sinalizam o desgaste dos equipamentos do laboratório orbital.

Nave Soyuz se aproximando do módulo Zarya (Imagem: Reprodução/NASA)
Nave Soyuz se aproximando do módulo Zarya (Imagem: Reprodução/NASA)

O segmento russo da estação, por exemplo, conta com alguns dos componentes mais antigos do laboratório, e as rachaduras se juntam a outros ocorridos, como uma falha no sistema de fornecimento de oxigênio, vazamento de ar vindo do módulo Zvezda, entre outros. Hoje, a NASA tem fundos para manter a operação da ISS até 2024 e pode tentar estender esse período para 2028. Mas Shepherd acredita que há algumas questões que precisam de atenção antes: “chegar ao fundo disso é um assunto bem sério; não acho que a estação esteja em perigo imediato, mas antes de liberá-la para mais tantos anos de operação, precisamos entender isso melhor”, disse ele.

Fonte: Canaltech

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