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Evolução de PUBG envolve inserir enredo em um multiplayer consolidado

Felipe Demartini
·6 minuto de leitura

O início do acesso antecipado de PlayerUnknown’s Battlegrounds, em 2017, marcou o início de muitas coisas. Foi a ascensão de um gênero, o Battle Royale, que até hoje cria fortunas e títulos de sucesso meteórico, incluindo o próprio. Também foi a gênese de uma das maiores franquias originais de games dos últimos 10 anos. E para Dave Curd, diretor criativo do título, foi o início do desafio que o motiva a levantar da cama todas as manhãs.

Naquela ocasião, estavam em desenvolvimento as versões de PUBG para consoles, lançadas no ano seguinte, e Curd passou a integrar a equipe do game nos escritórios de Madison, nos Estados Unidos, para a primeira grande expansão do game: o mapa Miramar, que foi lançado em dezembro de 2017. Naquela época, começava não só o trabalho de trazer mais do que uma jogabilidade competitiva e um controle apurado para o título, mas também um enredo que amarrasse todo esse tiroteio.

“O Battle Royale é [um gênero] complicado de se contar uma história, pois a melhor trama sempre é a que o jogador está criando [durante o game]”, explicou em entrevista ao Canaltech. “Nenhuma partida é igual à outra e os competidores estão sempre fazendo escolhas. O enredo acaba deixando essa aventura ainda mais densa e saborosa”.

O caminho para fazer isso passa pela exibição de histórias humanas, dos responsáveis pelo jogo mortal de PUBG e também dos habitantes dos cenários em que a ação acontece. São diferentes exemplos colocados nos, hoje, sete mapas disponíveis no game, com indicações sutis de que algo mais está acontecendo ali, histórias contadas por meio de trailers ou pequenos contos disponíveis no site oficial do título. Tudo ao gosto dos usuários e de forma que eles tenham mais e mais elementos de acordo com o grau de interesse no enredo desse universo.

Ao longo das atualizações e temporadas do título, o mapa original, Erangel, passou a conter diferentes referências à ditadura que reinava no lugar e à rebelião que se voltava contra ela, por meio de pôsteres, grafites e esconderijos de guerrilha destruídos. Já em Sanhok, é possível encontrar um bunker de produção audiovisual escondido, que não apenas mostra um pouco da produção underground de vídeos para apoiar a resistência como também o símbolo representado por antigos sobreviventes que agora se voltam contra os organizadores dos jogos, ao melhor estilo Jogos Vorazes.

Elementos desse tipo, aponta Curd, também podem ser usados a favor da própria jogabilidade. No mapa Karakin, por exemplo, as pichações do polvo vermelho, um símbolo dos contrabandistas locais, não apenas contam a história como indicam aos jogadores a presença de loots interessantes ou túneis ocultos que podem dar vantagem estratégica nos combates. Já em Haven, principal cenário da temporada atual, o foco é na facção Pillar, que possui tecnologia sofisticada e armamento pesado para executar missões a favor de seus clientes corporativos, além, claro, de representarem uma pedra no sapato dos aspirantes ao “chicken dinner”, como são chamadas as vitórias de PUBG.

“As revelações destas histórias são feitas em pequena escala, mas vão tornando o mundo cada vez mais interessante”, completa o diretor criativo. Para a PUBG Corp, esta também é uma forma de garantir o crescimento a longo prazo do título, pois nenhum sucesso consolidado é alguma coisa se os números não forem mantidos. Estamos falando, como relembra Curd, de um time que esperava vender 100 mil cópias do game em seu primeiro ano de acesso antecipado, mas se viu chegando ao primeiro milhão em 11 dias. Hoje, já são mais de 70 milhões de unidades comercializadas, o que também significa que as apostas, seja em termos de enredo ou jogabilidade, são cada vez mais altas.

Balanceamento, mas não só de jogabilidade

Durante o papo com o Canaltech, Curd citou a palavra equilíbrio por diversas vezes, mas não estava se referindo à jogabilidade de PUBG. Em seu objetivo final de transformar o título em uma experiência cada vez mais divertida e interessante, o diretor criativo fala sobre encontrar o ritmo correto para revelar a história deste mundo sem, efetivamente, entrar no caminho do que consagrou o campo de batalha para o mundo.

“Se [os elementos] estiverem escondidos demais, ninguém vai ver, mas se tudo estiver muito óbvio, a trama não cola”, explica Curd, que também diz trabalhar com telemetria e feedback das redes sociais em seu processo de decidir o que mostrar, quando e de que maneira. “Temos uma audiência muito variada; alguns não querem trama, outros acham a história essencial. Não há uma bala de prata para o conteúdo. Não somos perfeitos, mas acredito que estamos fazendo um bom trabalho em mostrar o que há por trás das cortinas.”

<em>Para Dave Curd, diretor criativo de PUBG, objetivo final é garantir que o game ainda esteja sendo jogado e comentado daqui a 15 anos (Imagem: Divulgação/PUBG)</em>
Para Dave Curd, diretor criativo de PUBG, objetivo final é garantir que o game ainda esteja sendo jogado e comentado daqui a 15 anos (Imagem: Divulgação/PUBG)

Além disso, o diretor criativo sabe que, assim como seu objetivo é garantir o sucesso e o interesse por PUBG no longo prazo, a trama também levará algum tempo para ser incorporada pelos jogadores que chegam agora. Na medida em que os usuários se acostumam com os mapas, explica, começam a olhar o que está em volta com mais atenção e, aos poucos, vai notando que há mais do que apenas um tiroteio acontecendo por ali.

“Tentamos fazer algo que não seja intrusivo, mas que também deixe os jogadores felizes. Quem busca um significado maior consegue encontrar contexto, mas aqueles que desejam apenas jogar também podem fazer isso”, completa Curd. O enredo, explica ele, é apenas uma das facetas de sua responsabilidade, mas o objetivo final é ainda maior. “Queremos ser como Counter-Strike e fazer com que as pessoas ainda falem sobre PUBG daqui a 15 anos”, finaliza.

Todo esse foco sobre a história de PUBG está prestes, inclusive, a fazer seu maior salto — para fora de si mesmo. Anunciado na última edição do The Game Awards, The Callisto Protocol já seria interessante apenas pela presença de Glen Schofield, um dos criadores de Dead Space, de volta no comando do tipo de terror espacial que, entre outras obras, o consagrou. Quando se pensa que este é um game de horror no universo do Battle Royale, então, as coisas ficam mais interessantes e intrigantes.

O que sabemos, por enquanto, é que o game deve chegar em 2022 e levará a lore desse universo séculos ao futuro. Sobre o título, entretanto, Curd não pôde comentar nada sobre o que o futuro de PUBG nos reserva em termos de história. Se, como dito, gerar interesse pela trama de um Battle Royale é algo difícil de se fazer, as equipes envolvidas parecem estar tirando isso de letra.

Fonte: Canaltech

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