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Tsunami do Brasil: é possível uma onda gigante atingir o país?

Redação Notícias
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REUTERS/Desmond Boylan
REUTERS/Desmond Boylan

Após os desastres vistos em 2004, no Oceano Índico, e 2011, no Oceano Pacífico, a palavra tsunami entrou de vez no vocabulário dos brasileiros, mas será que devemos nos preocupar com a possibilidade de um tsunami no Brasil futuramente? A resposta é “depende”, afinal, as ondas gigantes podem ser causadas por diferentes fatores, mas é pouco provável que você veja uma na costa brasileira ao longo da sua vida.

O que é um tsunami?

A palavra tsunami pode ser traduzida como “onda de porto”, em japonês, mas seus efeitos são muito mais devastadores do que a etimologia sugere. Basicamente, um tsunami se caracteriza por um grande e repentino deslocamento de água, sendo mais frequente em oceanos, mas também podendo ser formado em mares e grandes lagos ao redor do planeta.

Dependendo de sua força, um tsunami pode invadir quilômetros de um território, com suas ondas levando tudo o que encontram pela frente. No Japão, dez anos atrás, mais de 15 mil pessoas morreram em decorrência do fenômeno natural, enquanto em 2004, cerca de 220 mil vidas foram perdidas em países como Indonésia, Sri Lanka, Índia e Tailândia.

Como são formadas as ondas gigantes do tsunami?

A maior parte dos tsunamis registrados até hoje foram causados por abalos sísmicos submarinos, ou seja, quando placas tectônicas do assoalho oceânico se movimentaram de maneira tão brusca que foram capazes de deslocar grandes volumes de água em altíssimas velocidades. Estima-se que o tsunami do Japão tenha ultrapassado os 700 km/h em alto mar.

Entretanto, não são apenas os terremotos (ou maremotos, no caso) os responsáveis pela formação de ondas gigantes destrutivas. Erupções vulcânicas com grandes deslizamentos de terra para dentro da água e impactos massivos sobre a superfície oceânica, como os causados por asteroides, também podem gerar tsunamis.

Tsunami do Brasil: é possível uma onda gigante atingir o país?

Devido a sua localização geográfica, é pouco provável que o Brasil seja atingido por um tsunami em um futuro próximo. O país está bem no meio da placa tectônica sul-americana, sendo muito raro o registro de abalos sísmicos fortes o suficiente para serem sentidos, muito menos para causarem ondas gigantes em seu litoral.

Não à toa, os maiores desastres do tipo foram vistos em países localizados próximos a junções entre placas tectônicas, como o Japão, que se ergue entre as placas euroasiática, norte-americana, pacífica e filipina. O país asiático registra abalos sísmicos diariamente, mesmo que a maior parte deles seja imperceptível à população.

Mesmo assim, um estudo realizado em parceria entre a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisadores portugueses concluiu que, em 1755, o grande terremoto que destruiu a cidade de Lisboa provocou um tsunami que viajou de Portugal até a costa brasileira, sendo testemunhado principalmente na região nordeste, mas também na capital fluminense.

Acredita-se que o epicentro do terremoto estimado em 9 graus na escala Richter tenha sido a cerca de 300 quilômetros da costa portuguesa, no chamado Banco de Gorringe. E é mais ao sul dessa região do Oceano Atlântico que outro fenômeno natural pode gerar energia suficiente para causar um tsunami no Brasil.

Localizadas a cerca de 400 quilômetros da costa do Marrocos, na África, as Ilhas Canárias contam com vulcões ativos capazes de proporcionar tal efeito, principalmente se considerarmos um chamado Cumbre Vieja, em La Palma. Com quase dois mil metros de altura, o vulcão entrou em erupção pela última vez em 1971 e, dependendo da força da próxima, toda a ilha poderá desmoronar para dentro do mar, causando um perigoso deslocamento de água.

Já a outra possibilidade de um tsunami no Brasil pode estar a milhões de quilômetros daqui. Isso porque um asteroide pode estar viajando com destino à Terra neste exato momento e, dependendo do seu tamanho, uma queda no Oceano Atlântico teria potencial para criar ondas devastadoras de centenas de metros de altura.

Aparentemente, não precisamos nos preocupar com tal possibilidade tão cedo, mas vale destacar que, até 2021, nenhuma tecnologia capaz de desviar um asteroide de sua rota saiu do papel. De qualquer maneira, é provável que a maior onda que você verá no litoral brasileiro seja causada por uma ressaca do mar mesmo. Ainda bem.